Então, né? O último post desse blog tem quase um ano. E antes disso já estavam razoavelmente espaçados. O único movimento por aqui foi das minhas amigas de tireóide descompassada comentando aqui e ali e respondendo umas as outras. Eu mesma, mal apareci.
Há que se tentar explicar o motivo, muito embora não exista propriamente uma explicação. Não morri (acho), não me curei, não abandonei nada ou ninguém de caso pensado, não nada. Entretanto, foi um pouco de tudo também.
Até 2010, eu tinha ajuda aqui em casa. Dupla na verdade. Um casal, onde a parte feminina me ajudava na casa, a organizar minha mente caótica (tem que comprar tal coisa, quem que marcar médico, tem que preencha-com-alguma-coisa-vital-que-raramente-eu-me-lembro-sozinha…), a me permitir ter um pouco mais de tempo livre pra divagar sobre isso ou aquilo, inclusive sobre a minha tireóide. A parte masculina me ajudava com os cachorros, com a limpeza do terreno, com me levar de carro pra lá ou pra cá. Funcionava direitinho. Mas aí parou de funcionar.
A história é longa, entediante, com múltiplos pontos de vista, bastante polêmica e com a certeza que eu acostumo mal quem trabalha comigo. Sempre. Seja fazendo o serviço alheio por gentileza e acabando na situação onde parece que aquele serviço é a minha obrigação, seja por dar liberdade demais e tratar como amigo, seja por não impor muitas regras confiando no bom senso alheio, seja por fazer questão de ser o mais justa possível mesmo quando a coisa não funciona assim no sentido inverso, não importa o motivo. Eu sempre estrago as relações de trabalho onde me meto.
O fato é que durante boa parte de 2011 eu fiquei com ajuda intermitente, sem poder contar com, e por fim, lá pelo meio do ano, sem ajuda nenhuma. E ainda estou me adaptando a isso. Bem até, na verdade. A casa não tá lá essas maravilhas, mas vamos combinar que já não andava essas maravilhas antes, então até aí morreu o Neves. E de modo geral, tô me virando. É o jeito, né? Então estou me virando. Cá estou eu, de pé desde as 5 da matina, esperando pela hora de colocar o frango no forno, dando um tempinho antes de tirar a roupa da corda (esperando o sol firmar. A roupa fica mais quentinha, fácil de desamarrotar.), já tendo varrido o quintal, posto roupa na máquina, editado meia dúzia de fotos, lido meus emails e tomando coragem pra lavar louça.
Mas obviamente alguma coisa se perdeu aí no processo, e essa coisa fui eu. Então eu não estou me cuidando como eu devia, e aí, além da questão da falta de tempo, escrever nesse blog pra dar depoimento tosco que é mal conselho, não compensa, né? Então não tenho escrito.
Vou escrever pra dizer o que? Que faz um tempão que não vou no médico? Tá errado, não é bom conselho, não vale a pena contar. Que precisei suspender o tapazol por minha conta porque eu estava CHEIA, e eu digo, CHEIA de sintomas de hipotireoidismo, não dando mais conta? Eu sempre disse pra vocês não fazerem isso, como é que vou vir aqui contar que eu fiz? Que mesmo sem tapazol eu ainda estou com sintomas de hipo convivendo com aqueles da Hiper que nunca chegaram a ir embora? Eu não sei por que, não faço exames tem séculos, então que tipo de informação irrelevante é essa?
Antes que vocês se apavorem, nem é tão ruim assim. NÃO FAÇAM, NÃO… NÃO FAÇAM, mas eu tô meio que de olho. Não suspendi o beta-bloqueador, e meço a pressão e os batimentos regularmente. Espero não demorar tanto, mas já me prometi que no primeiro sintoma novo (ou velho né?) que aparecer, vou dar um jeito de ir ao médico. Enfim, não é algo totalmente irresponsável, só bastante irresponsável, entendem? Um irresponsável grande mas ainda sobre controle. Mas de certa forma eu preferia não contar isso pra vocês, pra não dar a idéia de que é algo que se possa fazer, porque eu SEI que não se pode. O que não adianta muito, se eu estou sem tempo, sem conseguir me organizar, meio ilhada na minha casa (não dou conta de ir a pé pra cidade, não dá pra ficar pegando taxi, e nem pra ficar pedindo pro meu pai toda hora… Patético assim), descontente com meu médico e pensando em como ir a outro (o único endócrino fora meu médico que sei pelas redondezas, é na cidade vizinha e é pago. Ou seja, ai ai, complexo!), enfim, eu sei que vou ter que resolver isso o mais rapidamente possível, mas saber não é solução pra nada.
Então façam de conta que ainda estou sumida, certo? E se eu tiver novidades, eu venho aqui e conto. Por hora, as novidades não são motivo de orgulho, então eu finjo que não contei e vocês fingem que não leram. Combinado?
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