Escolha Impossível

É certo como um dia após o outro até que eles terminem.  Se eu tiver um dia cheio, corrido, intermeado por aborrecimentos ou emoções, se o baque não vem no mesmo dia, virá com certeza no seguinte. Eu passo mal. E não é um leve incômodo, é batimentos e pressão descompensado, é dor no peito, falta de ar, tremores, dores de cabeça terríveis, vista quase 100% turva, ondas de calor, qualquer um deles, ou todos ao mesmo tempo.

Parece necessário passar por essa vida como quem desliza. Janelas fechadas. Ouvidos desatentos. Me confortando no nada. Aceitando a condição de quase incapaz, resfestelando-me na preguiça e no ócio a despeito do mundo que desaba e me chama.

É preciso que eu nada faça, e com nada me importe. Pro bem. Pro mal. Tanto faz. Desde que nada mude o curso lento dos dias. Que o relógio ande sob meu controle, um segundo a cada vez, e nada acontecendo.

Se a preguiça é (e nunca neguei) o meu pecado capital de escolha,  não há de ser o único. Então mesmo que fosse possivel, phodda-se (com ph de pharmácia e 2 Ds de toddy, como dizia Galahad o sábio 🙂 ) ligado 24 horas, deixando que façam por mim o que até então me cabia (e nem eu nunca fui portadora de tamanha preguiça), como se transforma alguém cuja marca nesse mundo é a de passional, neurose escolhida, maníaca não clínica por definição e escolha, em alguém ascético, neutro, em quem o mundo nada imprime e nada imprime nesse mundo? Como se mantém o superestimado equilíbrio que em nada me interessa mas me garante estar de pé e tecnicamente bem no dia seguinte?

Foi um sábado daqueles. Está sendo um sábado daqueles. Consequência direta da semana, da sexta corrida, das emoções que afloraram ontem, da proto-noitada (Tava em casa pouco depois da meia noite, que tédio, sair pra voltar cedo é tãoooooo sem graça), das preocupações que nomeei (ao invés de fugir delas) durante a semana, das coisas que fiz tentando romper o ciclo do marasmo e da procrastinação.  E só fico rezando em silêncio que o que estou sentindo agora fique por aqui mesmo, nesse nível, nada mais, que nenhum piripaque mais grave me encontre hoje, sozinha em casa (é, os filhos crescem, e não dá pra todas as vezes você fazer a chantagem emocional do “vai deixar a mamãe dodói sozinha em casa?” ou você vira a velha patética que jurou que não ia ser).  Então vou deitar e tentar dormir, pra chegar domingo logo, e ter gente em casa logo…

Post apenas para registrar minha escolha impossível : Entre a cruz e a espada, ou me deprimo parada ou adoeço em movimento. Em ambos os casos, o resultado está longe de me interessar…

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