Dai-me paciência!

Dai-me paciência, Senhor. E olha que não sou propriamente religiosa no sentido de achar que tem um deus lá em cima desocupado que vai me dar o que estou pedindo, no caso, toneladas de paciência. Mas dai-me paciência assim mesmo, não porque quero, desejo, anseio, invejo… mas porque preciso.

Porque paciência é algo que nunca tive. Nenhuma. Não pra lidar com gente, pelo menos. Me dê um milhão de minúsculas pedras e me mande reproduzir um castelo medieval, e eu faço. Me mande fazer uma colcha com centenas de pequenos retângulos tricotados, e eu faço. Me mande contar quantas folhas tem uma árvore e eu reclamo um pouco, mas faço. Mas não me mande lidar com gente. Nem esses que saíram de mim e reproduzem ao menos parte da minha carga genética e das minhas próprias idiossincrasias, ou os que escolhi conviver por necessidade ou amor ou qualquer outra imposição que me foi dada ou decidi abraçar.

Porque como todo mundo eu tenho um jeito de fazer as coisas. E um tempo. E um método. E um escalar de prioridades. Não é o certo, único, perfeito jeito de se fazer o que quer que seja.  Mas funciona (ou não) pra mim. E o outro é esse ser que tem o seu jeito, o seu tempo, método e prioridade que funciona (ou não) pra ele.  O que seria simples se tudo fosse de fato feito e completado ainda que de formas e tempos diferentes, mas não é tão simples. Primeiro porque as vezes não se pode esperar por esse tempo indefinido que é o do outro. E as vezes é quase flagrante que o resultado não será o esperado, apesar da insistência do outro.

Em uma situação ideal onde somos auto-suficientes e onde o outro não nos afeta nem nos imprime responsabilidade ou culpa, continuaria simples.  Poderiamos simplesmente abraçar o egoismo e o despreendimento de ver todos que não compartilham nosso jeito marcharem teimosamente pro desfiladeiro (ou pro sucesso, porque sempre pode ser o nosso método o mais ineficaz).  Mas dependemos dos outros. Somos eventualmente responsabilizados pelos seus atos. E por algum irracional elo, nos sentimos culpados pelos seus eventuais fracassos.  Não se deixa um filho pular da janela do décimo andar só pra eles saberem que essa é uma queda fatal, que aprendemos um dia sem precisar ter pulado pra saber… Ou nem mesmo do segundo andar. Simplesmente não podemos. É preciso ensinar, e ensinar demanda mais que o conhecimento, demanda paciência: de entender o outro, respeitar seu entendimento, seu tempo, seu jeito, seu método e sua prioridade.  Demanda também não entregar o produto pronto, ou não haverá aprendizado. Demanda achar junto com o outro o caminho que ele naturalmente percorreria e apontar a direção. Em última análise, demanda essa qualidade etérea de ter paciência.

E eventualmente é preciso exercer esse comportamento inflexível de exigir um certo método em detrimento de método algum até que o sujeito da ação tenha o seu próprio,  e manter o equilíbrio pra que esse inflexível não soe como ou se torne irascível no processo de uma firmeza doce que esperam de quem ensina, e nem todo mundo a possui.

Eu sou um ogro. Eu sou auto-didata. Eu sou o supra-sumo da impaciência. Da política do resultado sobre o processo.  Minha própria proscratinação me incomoda, mas quando a abraço (ou sou por ela abraçada) é sempre um risco calculado rumo a um objetivo ou uma fuga. E no fim, respondo pela minha própria inabilidade quando é o caso.  Mas me falta essa delicadeza de respeitar e exigir num equilíbrio sutil. Não sei só gritar faça. Não sei também deixar pra lá. Quero gritar faça assim e faça logo porque é assim que se faz e porque é preciso que seja feito ou pior ainda, quero ir lá e fazer por quem reluta em completar a tarefa, por preguiça, teimosia ou falta de habilidade. E o processo não se dá dessa forma. Ou de nenhuma outra que não o exercício da paciência persistente e inflexível, verdade seja dita… E essa paciência é o que me falta.

Então dai-me paciência, Senhor. Se há um senhor que pode me dar alguma coisa que mais que anseio, preciso. Ou me ensine em sua paciência persistente e inflexível como se aprende a ter essa paciência.  Porque me foi dado o que não pedi: nascer sem nenhuma paciência pra gente (e quanto mais eu convivo com gente mais eu amo os meus cachorros!) e, além do mais, um organismo que ataca a si mesmo e em consequência, joga litros de hormônios indesejáveis a cada milisegundo deixando essa paciência como um ideal ainda mais longe e inatingível…

Então que venha a paciência, porque faltam 15 minutos pras 5 da tarde e uma mal começou o dever, e o outro sumiu pela casa, e nem responde aos meus gritos assumidamente impacientes…

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Uma resposta a Dai-me paciência!

  1. Oi meu nome e jessica tenho 17 anos e tenho o hipertireoidismo. Tenho faz uns 2 anos, eu estou tomando o tapazol desde que eu descobri que estava com a hiper mas agora que eu vim sentir os efeitos. Eu tomava de 8 em 8 horas agora eu estou tomando 3 comprimidos pela manhã em jejum ando sentindo muitas cãibras, ansiedade, dores musculares as vezes aparece umas manchinhas vermelhas no meu corpo eu sentia muitos tremores também mas agora meio que passou.
    Eu queria saber se pode ser o remédio fazendo efeito ou e a hiper atacando?

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