Calmaria nem sempre é bom

Dizer que odeio segunda feira é muito, muito pouco. Eu realmente sinto algo muito maior que ódio pela segunda feira.

É o dia que o Marcelo (pai) volta pro Rio, e tudo é corrido e meio que em função disso. O dia fica curto pra tudo que ele precisa fazer e de certa forma é um fator caos no decorrer do dia.

Também o dia, esse ano, da aula de inglês da Letícia, o que significa ter que fazê-la voltar pra cidade vizinha onde é a escola dela (o que é melhor que deixa-la lá sozinha pra ser virar com almoço e ficar a toda das 12:30 às 15:40, mas ainda assim, é algo caótico e corrido), e da aula particular do Matheus, colocada nesse dia para minimizar o caos, mas adiciona entropia na hora da volta, pois a aula nunca terminou na hora que ele precisa estar pronto pra aproveitar a carona de volta pra casa.

Tudo isso significa dever interrompido e mais cansaço pra eles, o que por sua vez significa ter que dar um jeito deles terminarem os deveres ao menos os mais urgentes quando voltam pra casa, já de noite, e portanto, mais cansaço pra mim… E significa acúmulo de dever que não deu pra fazer na 2a, que vai ser um fantasma nos assombrando no resto da semana, que nunca parece longa o suficiente pra tudo.  Sem contar que 3a é dia de prova do Matheus, e embora ele diga que não, eu sempre acho que ele está indo pra prova sem estudar o suficiente, já que a 2a foi entrecortada com ida pra cidade, aula particular, volta pra casa…

Ontem teve tudo isso, mas foi uma boa segunda. Eu fiquei ainda mais cansada porque fui acompanhando a Lê pra aula de inglês pra aproveitar e comprar umas coisas que precisavam ser compradas (ou não), já que o Márcio que sempre a leva estava ocupado, e quem ia era meu pai, que já passou da idade de pegar a estrada sozinho (ou com uma menina sonolenta de 11 anos) e precisa de alguém do lado pra manter a atenção focada.  Mas apesar do aperto que dá no peito depois de gastar o dinheiro que talvez pudesse não ser gasto, é bom de vez em quando dar vazão a um ou outro impulso consumista… Além disso encontrei com as Anas (Cláudia e Clara) o que é sempre um ganhar do dia.

De noite, o Marcelinho chegou de viagem, cheio de histórias de como foi a Conferência em Brasília, todo orgulhoso de ter sido delegado, com presentinhos da Lilian para alegrar a pequena (e a velha também, já que ganhei meu Ogro de estimação! Muito fofo!). Apesar da correria de chegar, jantar, re-arrumar a mala e partir pra estrada com o pai de novo, e apesar de que manter a concentração dos outros dois depois de um dia puxado com o irmão semi-ausente para conversar ser um desafio extra, a consciência de que agora serão poucos esses momentos em que estaremos os 5 em casa ao mesmo tempo, faz com que a gente queira aproveitá-los e aprecie mesmo a bagunça e o caos advindos dessa confluência.

Então, para uma segunda feira, foi um bom dia. Sendo franca, foi um bom dia pra qualquer dia da semana. E eu fico tentando me agarrar nessa sensação de que foi bom a todo custo. Essas coisas sempre foram minha fonte de energia. Pequenas bobagem cotidianas que despertam um sorriso no canto da boca sempre foi meu alimento primário. E eu costumava ficar bem só de lembrar por uns dias mesmo quando os dias seguintes ao evento eram complicados, achando graça sozinha de algo que foi dito ou feito na rede de entropia familiar.

Mas deitei e a insônia consumiu a alegria fugaz.  Dormi um total de 1:20 antes de ter que acordar os menores pra escola. Depois, 1o minutos enquanto eles tomavam banho, pra depois ficar naquele estado semi-consciente onde o entendimento é nulo mas a preocupação persiste. Achava que tinha passado meia ou hora inteira, achava que eles estavam em vias de perder a hora. Tive que levantar antes do momento onde sempre me levando pra checar as coisas porque eu era um poço de aflição… Não dormi depois que eles sairam. Tentei, mas não consegui. Vi a Ângela chegar, e só fui cochilar de novo eram umas 10:00, pretendendo dormir até a Lê chegar, pra semi-compensar não ter dormido nada. Mas não eram nem 11:30 quando levantei.

Diferente da outra noite sem dormir, não me sinto hipersensível ou triste. Me sinto entediada. Sinto meu corpo trabalhando pra conter uma ansiedade sem tamanho que vai tomando conta e não acha canal para sair pro mundo. Me sinto sozinha em casa (a Lê ainda não chegou, nem o Tê que hoje fica de tarde na escola, e a Ângela tinha médico, então aprontou o almoço e deu um jeito na casa e já foi embora) não exatamente por estar sozinha em casa, mas simplesmente por me  sentir sozinha. Tenho essa recorrente sensação de que esqueci algo importante ou que tenho pela frente uma tarefa hercúlea, mas não sei nem do que esqueci nem o que me aguarda. É só uma sensação semi-etérea, semi-definida, como um vulto visto com o canto do olho que não está mais lá quando nos viramos, mas que imprime sua marca no canto da retina e é difícil esquecer do que achamos que vimos.

Me sinto estranha hoje, não drenada mas vazia. Não frágil mas mortal. Com essa sensação de que preciso manter um estado de alerta porque algo está em vias de acontecer. E ainda assim, me sinto irritantemente calma.

Quem poderia dizer que a deprivação do sono tinha tantas facetas?

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