Socorro: Sem dormir, de novo.

Não durmo tem 2 noites seguidas, e estou preocupada. Apesar de toda e qualquer resistência que eu possua, vejo que em algum momento eu vou ter que desistir, pedir ajuda, tomar remédio, não sei. Não quero. Não quero mesmo. Mas não sei quanto mais posso protelar uma solução externa. Mas sei que meu corpo não aguenta outra noite sem dormir…

Eu sempre tive insônia que se caracterizava por uma dificuldade em conciliar o sono inicial, mas virar a noite era raro. Muito raro. Quando isso começou a acontecer mais frequentemente (1 vez ao mês em média) eu já estava com hipertireoidismo mas não sabia.

Além disso meu problema era conciliar o sono inicial, não continuar dormindo. Durante TODA a minha vida, uma vez eu conseguindo dormir e se eu estivesse me sentindo segura (tipo alguém mais em casa pra tomar providências no meu lugar), eu simplesmente apagava. E se eu fosse o “adulto responsável da casa” e fosse preciso levantar pra qualquer coisa, eu era capaz de deitar depois e continuar dormindo, chegando ao cúmulo de continuar sonhando o que eu estava sonhando quando fui acordada…

Mas agora não é assim. Embora eventualmente eu apague, e tenha medo disso (por isso sentir o sono chegando as 4 da manhã não me adianta, se eu TENHO que acordar as 5…), normalmente qualquer coisa me acorda, e é difícil, senão impossível, voltar a dormir depois. Uma vez o sono interrompido, mesmo que por um golpe de sorte eu consiga voltar a dormir, não é parte do mesmo ciclo. Eu começo tudo de novo e por isso, raramente dormir me descansa. Excessão pra noite de domingo pra segunda passada quando eu finalmente dormi, o normal tem sido praticamente não dormir nada, e o pouco dormido ser constantemente interrompido, pequenos micro-ciclos de sono.

Além disso, com o evoluir da doença e a despeito do tratamento (já que a insônia foi o único sintoma a não sofrer nenhuma alteração com o medicamento), o número de noites viradas começou a aumentar para 2 ou mesmo 3 vezes por mês intercalado com noites mal dormidas e noites mais ou menos bem dormidas. Uma vez ou outra como no começo dessa semana, uma noite bem dormida (mas não lembro de outra nos últimos 2 anos que não a de domingo pra segunda). Em algumas dessas noites sem dormir eu dormia de manhã, em outras eu passava o dia virada mesmo. A diferença era pequena.

Há alguma coisa de diferente quando você dorme de manhã. Se você dorme de noite e entra manhã a dentro é uma coisa, mas se você só cai no sono quando o sol já está alto, é outra completamente diferente. O problema não é o quão tarde se dorme, mas se está escuro ou não. Até procurei uma explicação, mas exceto pelo quesito temperatura não achei nada que justifique isso em termos científicos, mas é um fato. E não sei se está ligado ao relógio biológico não, porque eu sempre fui uma criatura mais noturna que diurna, então meu relógio biológico não deveria se ressentir de dormir depois que o sol saiu, pelo contrário, eu devia me sentir mais descansada. O fato é que 4 horas de sono a noite, por menos que isso pareça, é MUITO mais eficiente do que 6  ou até 8 horas de sono de manhã. Então se eu viro a noite, faz pouca (melhor que nenhuma, mas ainda assim pouca) diferença se consigo dormir de manhã. Eu fico mal o dia todo praticamente do mesmo jeito.

E as famosas sugestões da higiene do sono meio que não se aplicam. Quase tudo alí é feito ao pé da letra, ou se não, é porque já tentei e não fez efeito. Na verdade, piorou tudo… Se por exemplo eu não ligo a TV do quarto, eu vou ter que andar pela casa e ver TV em outro cômodo (ou usar o computador, ou o que for) e demoro ainda mais pra conciliar o sono. Talvez em parte por preguiça (ou medo) de ir pro quarto e não conseguir dormir e ter que voltar pra sala, eu tendo a demorar mais a ir pro quarto. O mesmo pra música, tricô, ou qualquer outra atividade que seria desaconselhada a ser misturada com o ambiente feito pra dormir. Coca-cola (já que café eu bebo muito raramente e só antes do meio-dia) eu também já cortei depois de um certo horário, e além de semi-crise-de-abstinência eu não vi melhora alguma no quadro. Na verdade eu entro em crise de ansiedade, sinto mais vontade de fumar, me irrito com o fato do sono não vir, e isso gera um quadro que amplia a insônia ao invés de diminuir. De resto, meu quarto é frio e acolhedor e eu ainda abro a janela pra garantir que eu não vá sentir calor. Eu não brigo com o sono. Não fico rolando na cama. No quarto ou fora dele eu me engajo em outra atividade que não seja tentar dormir em vão justamente pra não fazer da minha cama ( se não do meu quarto) o lugar do como diz o texto, #$%$@#$ onde eu rolo na cama sem conseguir dormir. Eu não cochilo durante o dia (nem consigo nem posso!) exceto por nas noites que não durmo NADA, a dormida das 6 ou 7 até as 10 ou 11 da manhã, mas aí não é cochilo, e a tentativa desesperada de repor a noite sem dormir ou muito mal dormida. Mas depois disso, nem meia hora de soneca. NADINHA. E por fim, eu não bebo bebida alcoólica, nem 6 horas antes de dormir nem hora nenhuma. Então sinceramente, eu não sei o que estou fazendo de errado. Exceto por forçar a barra e simplesmente deitar e me dizer que vou dormir custe o que custar e não fazer NADA de diferente de tentar dormir, o que seria contra a 3a regra da higiene do sono, eu não sei mais o que tentar! E na verdade, já tentei isso também. Então estou ficando sem opções.

Mas nada disso é novidade. Nada que eu já não tenha dito por aqui. O que é novo é que, pela primeira vez, e digo PRIMEIRA VEZ, eu fiquei 2 noites seguidas sem dormir NADA.  Na primeira, de 2a pra 3a, eu não sentir sono hora nenhuma. Quando dei por mim eram 4 da manhã e aí, com sono ou sem sono, eu precisava esperar as crianças levantarem. Mas o fato é que eu estava sem sono. Dormi alguma coisa depois que eles foram pra escola, mas pouco. Levantei cansada, mal humorada mas ainda emocional e fisicamente inteira, talvez porque na véspera eu tenha dormido maravilhosamente bem. O dia passou e eu sobrevivi a ele. Não pude ir pro quarto antes das 22:30 quase 23:00 por conta dos deveres das crianças e todas as providências noturnas pro dia seguinte, e quando finalmente fui “deitar” começou o tormento.

Eu estava pregada. Cansada de verdade. Então ajeitei a cama, abri a janela, apaguei as luzes, virei pro lado. Nada. Virei pro outro. Nada. Abracei o travesseiro. Nada. Deitei de bruços. Nada. De barriga pra cima: aí o nariz entupiu (maldita gripe). Sentei. Fui no banheiro. Voltei pra cama. Virei pro lado. Nada. Virei pro outro. Nada. Abracei o travesseiro. Nada. Deitei de bruços. Nada. De barriga pra cima: aí o nariz entupiu (maldita gripe). Ei, sensação de déjà vu. Senta na cama de novo!

Liguei a TV. Tentei colocar em algo que eu não tivesse muita vontade de prestar atenção, tipo “programa-sonífero”. Nada. Desisti. Acendi a luz. Coloquei em algo mais interessante. Comecei a tricotar. Perdi a conta do número de programas que assisti ou de quadradinhos de tricô pra colcha que fiz. Dei uma limpa no HD do meu sky + . Eram 3 horas da manhã. Coloquei um programa de música porque eu poderia assistir de olho fechado. Quem sabe assim o sono viria? Estava disposta a arriscar 2 ou até menos horas. Ia dormir de dedos cruzados pra ouvir o despertador às 5 ou rezando pra que meu filho ouvisse o dele às 5:15. Eu precisava dormir e embora tivesse muito em risco (dia de prova pra menor) eu não podia ficar outra noite sem dormir. Deitadinha de lado, coberta, de olho fechado, ouvi as músicas uma por uma do programa. Nem me dei o trabalho de passar correndo os comerciais, deixava eles rodando, tentando dormir. O programa acabou. Em 4 horas, eu ainda estava acordada.

Tentei não me aborrecer com isso. Aumentei o volume do despertador e continuei deitada, de olho fechado, tentando nem me mover. Luz apagada. TV no mute, e depois desligada. Quietinha. Abri o olho. Eram 4:30.

Levantei. Peguei o lanche das crianças na geladeira e coloquei nas mochilas. Coloquei comida nos potes dos cachorros e deixei na mesa pra ser colocado lá fora. Sentei na beirada da cama no escuro e fiquei olhando o relógio. 4:45. 4:46. 4:47… 5:01, 5:02. 5:03: As vezes me sinto a peça faltando em você.  Era meu celular despertando.

Acordei as crianças. Coloquei a menor no banho. Avisei ao outro que eu não tinha dormido, de novo, mas já tinha colocado o lanche na mochila e a comida dos cachorros nos potes, então era só ele não perder a hora, vigiar o tempo do banho da outra, enfim, era só ele pegar os potes e a mochila na hora certa e ir. Limpei minha mente de qualquer obrigação ou preocupação que pudesse me impedir de dormir, e confiei.

Deitei na cama. 5:10. 5:11. 5:12. A última vez que olhei eram 5:45. Não ouvi o celular tocando “Any dolt with half a brain, Can see that humankind has gone insane” (qualquer idiota com metade de um cérebro pode ver que a humanidade enlouqueceu) que é o meu segundo despertador, das 5:55 pra avisar pras crianças que já está quase na hora de sair pra pegar a condução.

Depois disso acordei aproximadamente as 7:20, 8, as 9:30, as 10:15, as 10:30, e levantei as 10:40. Minha cabeça doía muito e eu não conseguia continuar deitada. Ainda dói. Muito. Só consegui almoçar as 15:00 porque eu não sentia fome alguma. Comi forçado só porque não podia tomar outro paracetamol em pouco menos de 4 horas de intervalo e estômago vazio. A dor não passou. Tomei o segundo remédio pra dor às 16. Já briguei com a minha filha umas 10 vezes, por baixo. Respirei fundo, tentei explicar porque eu estou nervosa e que preciso que ela me ajude, mas ela continua cochilando em cima do dever. Agora eu pedi pra ela “Não fazer” o dever em algum lugar longe de mim, porque eu não estava em condições de brigar de novo, e ela continuava insistindo que estava fazendo quando eu via ela de olhos fechados e mão boba caída em cima do caderno. Estou chorando sem parar não porque estou triste, mas porque estou esgotada. Sem opções. Sem saída. Sem perspectiva. Sem sono.

Eu preciso dormir. Eu só não sei mais o que fazer pra conseguir.

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20 respostas a Socorro: Sem dormir, de novo.

  1. Joana diz:

    Angustiante. Lamento muito, será que a sua dose não está desregulada? volte ao médico e veja com ele para aumentar a dose, já faz muito tempo que a sua dose é a mesma, talvez não surta mais efeito. Tenta usar o tapa olho, ele não é o remédio, mas ajuda a relaxar e a tensão que fica nos nossos olhos que teimam em querer ficar abertos.

    • Não sei Joana… Os outros sintomas de hipertireoidismo foram afetados pelo remédio. Alguns sumiram, outros diminuiram e vez por outra aparecem sintomas de hipo. Então realmente não sei se é a dose do tapazol. Vou tentar ir ao médico semana que vem. Está na época mesmo e eu não queria ir nessa 1a semana de maio mas vou agendar pra semana que vem (normalmente marcando na 2a consigo vaga pra 4a ou 5a as vezes até antes…). Mas não sei se é isso.

      Já pedi pro meu marido trazer do Rio o trequinho de tapar olho pra dormir porque aqui é difícil de achar e tudo muito caro. Vamos ver se melhora. Mas as vezes acho que vou me sentir meio claustrofóbica com aquilo na cara, mas estou disposta a tentar de tudo.

      Porque esqueci de mencionar os chás, o banho morno, a pseudo-tentativa de meditar (não consigo fazer isso, mas tento respirar e relaxar antes de deitar pra dormir), e outras “técnicas” que já tentei pra conciliar o sono. Tá muito complicado… 😦

      Obrigada pela força!

  2. mel diz:

    Querida no inicio do meu tratamento tomei passiflora, calman e outros calmantes mas ñ tiveram um efeito que eu esperava, pq eu queria apagar de sono e so acordar no outro dia, lembro que falei com meu endocrino e ele me receitou outro calmante… converse com seu endocrino ele deve saber um que ñ interfira no seu SNC e ñ cause uma dependencia em seu organismo. É triste demais querer dormir e ñ poder…beijos

    Boa Sorte!

    Hoje eu consigo dormir mas ainda tou hipotireidismo pq tou sem hormonio, ainda…

    • Mel,
      Passiflora pra mim é água. Funcionou por um bom tempo no passado remoto, nas primeiras vezes que tomei isso. Mas já em 1998 quando eu estava grávida da caçula e a minha mãe teve o derrame (e minha pressão começou a subir) , depois de funcionar por uma semana ou um pouco mais, talvez até um mês, virou água e aí tive que passar pra outra coisa, que nunca soube o que foi. Lembro que era líquido, que era uma dos poucos que tinham poucas restrições pra mulher grávida e lembro que fiquei dopada. Eram sei lá, 3 gotas do treco e eu deixava de ser gente, não lembrava se tinha ou não tomado o remédio, não sabia o que fazer com o telefone (ligavam pra mim e eu ficava olhando pro fone, sem saber direito o que era preu fazer), prostrada na cama. Só tomei porque era uma escolha fácil: isso ou pré-eclampsia e correr o risco de perder a criança e de repente até eu mesma. Não gosto nem de lembrar, sério. A sensação foi uma das piores da minha vida. Eu prostrada, vendo as coisas acontecerem, tendo a sensação de que se eu não estivesse medicada eu ia querer intervir, mas simplesmente não ligando. E isso porque eu falei pra minha médica: nada que possa viciar, nada que interfira muito no SNC, nada que… Se isso era o nada, não me apresentem ao tudo, please!

      Ontem dormi (amém senhor!) 2:30 de noite + 4:30 depois de acordar as crianças. Tô bem. Não foi o sono dos justos mas tô bem. Ao menos comparado a ontem!

      E você? Quanto tempo mais sem hormônio? Nossa, estou morrendo de dó, parece que já passou uma eternidade. Força aí, viu?

  3. Y diz:

    Dri, eu lembro disso. E lembro de alguém me dizer “dorme quem pode”. E de eu nunca me permitir uma boa noite de sono.
    A partir do momento que tomei as rédeas disso, nunca mais dormi mal (nem com a maldita insônia de graves que até hoje ainda me ataca).
    Eu acredito que a “permissão” para dormir vem de dentro. Vem de VOCÊ ir lá e procurar onde tem esse espaço na sua vida. O que faço aqui é EU VALORIZO MEU SONO, VALORIZO MEU DESCANSO tanto quanto valorizo meu trabalho.
    Aí a coisa se equilibra e eu acabo até trabalho melhor, claro.

    Tenho fé que vc vai achar o seu caminho…
    Já parou pra ver que qualquer doença é uma grande oportunidade de mudança e crescimento?

    Beijoca.

    • Y, você é zen, eu não sou. Você é um zen diferente, sempre foi, pode ter ficado uma zen acelerada, mas é parte de quem você é ser zen, cool, descolada, essa é a Y. A Dri não é zen. A Dri é, na melhor das opções, soft-neurótica. Então eu entendo, eu concordo, eu sei que é esse o caminho, só não é um caminho fácil pra mim. Eu não consigo abrir mão de certas coisas. E não é porque eu não quero abrir mão, é porque certas coisas me definem. E sim, é oportunidade pra mudança e crescimento, mas quem vai sair disso? Quem vai ser a pessoa que vai surgir na outra ponta? E se eu não gostar dela? E se ela não for eu? Isso pra mim é uma coisa assustadora Y. Eu gosto do que me define. Apesar de TODOS os pesares, eu gosto de mim. E eu já não sou mais eu, e não sei quem é que vou ser depois de tudo isso, e abrir mão de mim é ainda mais difícil que abrir mão de cigarro, coca-cola, etc… Deu pra entender ou é muito over?
      Mas entendo. As 2:30 que eu dormi ontem a noite fazem parte dessa lógica. Eu virei pro lado e falei: posso dormir ou não dormir. não controlo isso. Mas vou descansar. Daqui até o despertador tocar eu vou estar tentando conversar com Sandman. E dormi, e sonhei um sonho ultra-mega-louco e acordei as 5:05 e contei o sonho pro Matheus. E encostei na cama, falei pra eles que não ia guardar nada nem avisar de mais hora nenhuma, e 5:30 eu já tinha dormido de novo quase que como parte do mesmo ciclo até agora as 10, com um abrir de olho as 7:30 e as 9:00. Pouco? sem dúvida. Mas dormi.
      Se vou conseguir isso hoje ou amanhã é um mistério. Porque não é como se eu não tivesse tentando nos dias que não dormi. Eu tentei, só não consegui. Mas ontem consegui.

      • Y diz:

        Ah, então vc dormiu sim! 🙂
        Dormir pouco também é dormir… Não é a perfeição mas ninguém liga pra isso, liga?

        Btw, não sou zen, foi a vida que me fez assim na base da porrada… 😀
        E não abri mão de nada mas sabe quando vem um adulto e abre a mão da criança até que ela solte seja lá o que pegou? Foi assim comigo.

        E eu até gostei do pacote final mas pode ter sido sorte… 😀
        Bjs

      • Respondi e meu comentário sumiu! 😦 Tentando reproduzí-lo.

        Dormi. Essa noite eu dormi. Finalmente. De 2a pra 3a e 3a pra 4a é que não dormi nada! Até tentei de manhã, mas foi pouco e como eu disse no post, pra mim não faz o mesmo efeito.
        Então sim, nem ligo: pouco é MUITO melhor que nada. É uma dádiva. Uma benção. Sejam 2:30 ou sejam até menos, fechar os olhos e dormir é um presente. Sonhar então? Nem se fala. E foi um sonho MUITOOOO Doido! Ainda me lembro de uns pedaços! 🙂

        Quanto ao resto, Y, eu sei, entendo, bla bla bla wiskas sache bla bla bla. Não estou dizendo que pra você isso veio de graça. Mas há elementos na sua natureza, que sempre te definiram desde sei lá quando a gente se conhece que são muito diferentes dos elementos que me definem. Então eles apontavam pra um resultado final diferente. Meio viagem, mas espero que você entenda o que estou tentando falar. Você talvez fosse mais visceral, mas sempre foi, não sei a palavra, na falta de melhor uma alma zen mesmo quando não era zen.
        Eu também passei por muito adulto abrindo a minha mão a força Y. E não quero reclamar ou lamentar mas eles me levaram muito. E eu me apeguei ao que restou, que nem é coisa boa, mas é minha. E acho que em algum momento esses ‘adultos’ vão levar isso também. E eu tenho medo do que eu vou ser. Pode ser um medo irracional e até bobo, mas o fato é que eu tenho medo. 🙂

        beijos

  4. Joana diz:

    Bom dia,

    Que é verdade que ela vai e volta eu concordo com a Y, também concordo com a mel sobre os calmantes, eu tomei passiflorine mas para diminuir a ansiedade que me preocupa mais que ficar sem sono e que também causa insônia, tomei quando estava sem a fluoxetina, por falta da receita para comprar. Mas, eu como você achava que depender de algo ou de alguém era sofrimento, mas decidi como a Y tomar as rédeas e tentar tudo o que fosse possível para sofrer menos e melhorar a qualidade de vida. Eu continuo durmindo mal, mas está bem melhor do que ficar sem dormir. Só em ficar sem aquela impaciência, aquele “nervoso que dá na cabeça”, a irritação, o barulho do mundo, eu acho uma maravilha.
    Quanto a dose do remédio, sempre que o meu aumenta, no retorno ela me pergunta se eu estou dormindo.

    • Eu sei que eu tenho péssimos definidores (coisas que definem quem eu sou). Ansiedade e uma certa neurose são parte desses definidores. Talvez com anos e anos de terapia eu pudesse abrir mão desses definidores. Mas não assim.

      Digo isso pra dizer que minha experiência com esses remédios é a PIOR possível. Mais acima contei sobre o que tomei quando estava grávida da minha caçula. Tive outras 2 experiências e todas as 2 horrorosas. Uma quando houve um problemão na minha familia e eu ainda era adolescente. O médico mandou eu tomar uma fração milimétrica de um calmante padrão, e eu tive um piripaque pior que o que eu estava tendo antes de tomar. Apaguei, a pressão caiu, e quando acordei eu meio que só chorava porque queria gritar e não conseguia. Foi HORRIVEL.

      Depois quando tive meu filho do meio, foi um parto MUITO complicado, ele em sofrimento, eu com dores horríveis, ia ser cesariana apesar deu ter me preparado pra um normal, eu entrei em crise de pânico na mesa de parto, e quando foram colocar a sonda pra fazer a cesária descobriram que o moleque já tinha coroado. Ai ele tinha 2 minutos pra nascer ou iam empurrar ele de volta e cortar minha barriga. Ele nasceu de parto normal um minuto depois. Depois disso ele foi pro berçário e a médica me “obrigou” a tomar também uma fração de também um desses calmantes padrão. Eu lembro claramente de apagar sem apagar. Eu ouvia as pessoas no quarto, eu queria interagir, mas eu não conseguia abrir meu olho ou falar ou o que for. Parecia a minha idéia de estar em coma. Meu marido diz que escorreu lágrima do meu olho fechado. Ai eu acordei, até bem, não nego, na hora que a enfermeira entrou com meu filho. Ai eu tive uma crise de ansiedade pós-fato. Eu comecei a pirar: e se eu não tivesse acordado pra amamentar meu filho? E se eu não tivesse tido força no braço pra segurar ele? E se … E eu passei a manhã toda assim.

      Então não. Eu não quero tomar calmante. Pode ser que eu chegue no ponto onde querer não é um determinante. Mas enquanto eu puder escolher, eu não quero. Esses medicamentos interferem nos meus tais definidores, e por isso fazem um efeito devastador na minha estrutura. Eu me sinto mal sob o efeito deles. Eu não acalmo de verdade: há uma calma que é física e química, mas algo em mim luta contra eles e faz um efeito antagônico ao que o remédio intencionava fazer.

      Passiflora é diferente. Funcionava em mim como um relaxante muscular. Ai ajudava a dormir e até a acalmar porque me mantinham no controle então eu não brigava contra o remédio. Mas infelizmente das últimas vezes que tentei tomá-lo, ele e água tinham o mesmo efeito.

      • Y diz:

        Tb tomei passiflorine e maracujina quando precisei e funcionaram. E muito chazinho de erva cidreira e suco de maracujá fresco e de garrafa tb.

      • Acreditem se quiserem: em mim maracujá nunca fez efeito nenhum e nos meus filhos fazem efeito contrário! Lembro que dei maracujina prum deles (acho que foi o Marcelinho) porque ele estava doentinho e agitado e precisava descansar pra melhorar. O pediatra passou e eu dei e JESUUUUUUUUUUUUSSSSSS APAGA A LUZZZZZZZZZ! O moleque ficou elétrico!
        Até hoje quando eles tomam suco de maracujá ficam todos agitadinhos. Eu acho hilário! 🙂

  5. Joana diz:

    Eu escrevi durmindo, perdoem-me, acho que eu estava dromindo nessa horinha, rs. Desculpem a falha. É dormindo.
    Que maravilha que você conseguiu dormir. Torço para que hoje seja melhor ainda. Não depende de mim e nem de você e nem de ninguém, só da tireóide.

    • Ih Joana, nem ligue! Se eu for contabilizar as minhas palavras digitadas (ou escritas mesmo) erradas até nos posts eu tô no arroz: vão achar que eu preciso voltar pro primário e aprender tudo de novo. Se você não tivesse postado pra dizer que escreveu errado eu não ia nem ter notado. 🙂

      E obrigada. Com sorte hoje ainda vai ser melhor! Mas só essas horinhas já deram um novo fôlego por aqui. 🙂

  6. mel diz:

    Minha consulta foi dia 06/05 meu medico de medicina nuclear enfim admitiu que os sintomas se ñ for um problema cardiaco tipo INFARTO é do hipotireoidismo por falta de hormonio. Eu gostaria de pregar um prego na testa dele e de todos os outros mas no momento nem posso me dar ao direito de me emocionar, a dor no torax ñ me permite respirar bem e até digitar essas palavrinhas me deixa muito cansada, tenho que parar varias vezes para descansas se ñ num consigo nem isso…

    Previsão para internamento dia 13/05 ou depois disso (lembrando SE eu ñ enfartar antes) para fazer iodoterapia. beijos pra v6s… e Dri, como disse meu endocrino “tente encontrar o botãozinho que te desliga de tudo e do stress e tente dormir” palavras dele mesmo eu dizendo qui ñ sabia onde esse botão fica.

    …e sua mãe como está?

    • A gente já falou disso aqui, né Mel? E eu não entendo… A gente toda hora está aprensentando algum sintoma e quando leva pros médicos eles olham com cara de “como assim?” e nos tratam como se fossemos histéricas. Se isso está continuamente acontecendo com outras pacientes, não necessariamente os mesmo sintomas, mas sintomas que “eles não esperavam”, será que é tão difícil eles admitirem que não sabem de tudo e aprenderem com o caso in loquo? Essa semana sou eu que vou ao médico. Só quero ver o que ele vai me dizer…

      Eu confesso que não sei o que te aconselhar além de descanso. Você não pode tomar remédio, ou iodo normal e eu sinceramente achei “medieval” essa coisa de te deixar desde a operação até hoje aos cuidados só do seu corpo. Uma vez que você tirou a tireóide, óbvio que ia desenvolver hipotireoidismo. E eu fico pasma que o procedimento padrão seja “esperar”. Te acho uma heroína. Eu ia acampar na porta da casa do médico e falar só saio daqui com meu puran ou alguma outra providência!

      Curiosidade: a sua remoção foi total ou parcial? a radioterapia é pra acabar de vez com qualquer célula restante da tireóide?

      Estou aqui torcendo por você, ok? Apesar de todos os médicos com cara de “como asism?” a gente vai dar a volta por cima! 🙂

      E a minha mãe vai indo. Fui lá hoje dar um beijo e levar uma lembrancinha pra ela. Tenho achado ela caídinha, mas ela já esteve assim várias vezes nos últimos 12 anos. Melhora, piora, melhora… Mas sendo franca, apesar deu estar muito preocupada com ela, se eu não soubesse que ela teve um 3o AVC eu não ia acreditar se me contassem. A perda foi mais na força das pernas e no equilíbrio, então caminhar com ela tem sido mais díficil, mas a fisioterapeuta tá tirando isso de letra: com ela minha mãe anda que é uma belezinha. Não houve perda da fala, nem do movimento do braço, mesmo que tenha ficado um pouco mais difícil pra ela. Esse terceiro, graças a deus, foi um AVC bem pequenininho e deixou comparativamente, um quase nada de sequela. O problema é que foi em cima de outros 2 e da idade avançada e que desde o 3o AVC a pressão dela está complicada de controlar. Mas estamos levando. Com sorte ela vai mostrar mais uma vez que é uma cearense teimosa e dura na queda! 🙂

  7. mel diz:

    Que bom que sua mãe está bem, fico feliz!!!

    Minha tireoidectomia foi total e depois encontraram carcinoma papilifero na biopsia, restou um pouco da tireoide bem pouquinho por isso tenho de fazer o iodo pelo carcinoma e pelo restinho de tiroide que ficou.

    Na ultima consulta meu medico disse “é que na verdade tireoide ninguem sabe para que serve até precisar dela” ai eu disse “então deve ser por isso que os medicos nunca sabem os sintomas porque todos tem tireoide, e eu mim sinto como um rato de laboratorio” ele ficou me olhando perplexo, ai disse, “você tah bem cansadinha neh? mas jah tah acabando, so mais um pouquinho de paciencia…” como se eu tivesse escolha!

    • Meu pai além de diabetes tem hipotireoidismo. Quando ele foi diagnósticado o médico disse pra ele: “A tireóide é uma glândula metida a besta que acha que manda em tudo. É só ela sair um pouquinho do eixo que ela resolve controlar todos os outros orgãos e glândulas. Tudo pode acontecer!”
      Não sei se no dia a dia ele tinha essa mesma postura porque ele nem é mais o médico do meu pai já que nos mudamos de cidade, mas pelo menos ele tinha a consciência de que tudo podia acontecer.
      A maioria dos médicos olham pra gente com a cara do “mas heim?” e usam diminutivos menosprezando… “cansadinha”? Cansadinha ficava minha filha quando ela tinha 5 anos. Hoje até ela fica é cansada, dr… Cansadinha não, tá???! 🙂

      Mas força! Não sei se faz alguma diferença, mas estou torcendo pras coisas melhorarem logo, tá?

      beijos.

  8. mel diz:

    Obrigada, sorte amanhã!!!
    Depois da iodoterapia te conto.

    • Joana diz:

      Boa sorte, Mel, espero que você reaja com força e supere mais essa etapa, você é a pioneira daqui, então nos conta tudo depois.

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