Apertem os cintos que a montanha russa é longa.

Preciso contar pra vocês dos meus exames. E de como é complicado conciliar TAG com Tireoide ferrada com vida.  Mas estou sem saco, tempo, disposição e vontade de escrever.  Mas como se isso fosse me impedir…

Dizer pra vocês que eu SABIA que eu estava alterada.  Ao mesmo tempo, o momento cósmico não estava ajudando…   Era preu  ter feito um exame intermediário lá pro dia 15 ou 20 do mês passado, mas o momento pediu umas cervejas ocasionais e o pedido de exame tinha taxas de fígado então fui adiando.  Fiz sexta feira.

Sábado tava tudo no site. Fui olhar de boba, achando que só ia estar lá segunda ou terça, mas acabou que o Bronstein é rápido pra danar!  E … adivinhem!

Meu TSH despencou ladeira baixo para 0,02.   O segundo mais baixo que já tive (0,01 em 2012 numa, acho, quase tempestade tireoidiana, todos os sintomas, tendo uma síncope nervosa, mundo caindo, vida ruindo, vai falando aí que provavelmente era como eu estava!).  Obviamente, tinha que estar escrito só T4 na meleca do exame, e não sei meu T4L.  Meu T4 estava normal alto.  Mas nunca tinha medido antes, não sabia o que esperar.

No mesmo momento, eu comecei a mimetizar TODOS os sintomas. Todos. Ai, como eu aprendi que uma pessoa de bom senso faz (pilha muito interna… levaria um post, e provavelmente do outro blog, para explicar), eu parei, respirei, e tentei olhar de cima. Fora estar agitada e especialmente ansiosa, mesmo medicada, eu não estava tendo nenhum outro sintoma significativo.  Até aquele instante em que vi o 0,02, pelo menos! E ai vamos lembrar que eu tenho TAG e que estou no meio de um episódio trigger de ansiedade.  Logo, estar agitada e especialmente ansiosa é retroalimentação quando muito, não sintoma tireoidiano…

Trab 0,06. Tava em 0,30 da ultima vez. Antes disso 1,1. Cada vez menos anticorpos circulam nesse meu corpinho…   O que me faz pensar, agora, mais calma, que a hiper é medicamentosa mesmo, mas obviamente na hora, eu só achava que estava com hiper mesmo , assim, HIPERZONA, vinda de mim mesma contra mim mesma, all over again…

Domingo eu estava mais calma. Tinha pego o Zap do médico e achei que o ideal era importuná-lo só na segunda. Eu não estava morrendo nem nada.  Por 10 minutos, e foram só 10 minutos, a tal pessoa de bom senso foi passear e eu pensei que sair da hipo pra hiper de novo até não ia ser ruim, já que eu estou mesmo tentando emagrecer. Ai me espanquei mentalmente por pensamento mega idiota e mandei zap pro médico na segunda logo cedo.

Ele baixou a dosagem do Puran. E vou repetir, zero sintomas que eu possa GARANTIR ser da hiper. Baixar a dosagem parece ok.  Na hora não pareceu. Achei que eu tinha que parar. Voltar pro Tapazol. Gritar até a vibração das cordas vocais estourarem minha tireoide de quebra, sei lá o que achei!

20 minutos depois eu mudei de idéia, até porque em coisa de 25 dias eu faço outro exame. Em 30 dias give or take, eu tenho consulta.  Ai converso com ele, frente a frente, e ponderamos o que houver a ser ponderado.

Tô péssima. Mas tô bem.

Era muita inocência achar que por mágica eu ia tomar um remédinho e ia ficar tudo bem. Inclusive ser for hipo. Como se fosse fácil achar a dosagem correta de qualquer coisa numa primeira tentativa.  Anjos e Fadas, a depender da sua fé, protegem a gente na hora de tomar antibiótico e outras coisas assim, pq é tudo de um empirismo desgraçado…  Todas as variações de reação e ação são possiveis quando se coloca uma Química X em um Corpo Y. Ou Z. Ou W que sobrem do mal A, mas eventualmente concomitantemente do mal B, ou C, ou D, ou tudo isso junto…  Todas as reações são possiveis inclusive depois que já se teve uma reação. É pior que física quântica onde tudo é possivel até acontecer. Depois que acontece, continua sendo possivel, que no próximo segundo, algo diferente venha a acontecer sem mudar o cenário.  O jeito que nosso corpo funciona é a própria definição de loucura, onde se tenta um mesmo procedimento para um resultado diferente. E pode vir…

E vamos combinar… São uns 9 anos nessa estrada.  Pra cima. Pra baixo. Pros lados.  Todo dia é uma aventura nova. Um calombo.  Um ajuste.  Sou tudo menos nova nessa história. E esse é só outro capítulo. Outra curva. Outro solavanco…

É a própria natureza da montanha russa. E essa, não vou te enganar não, é grande de cansar…

PS: Taxas de fígado tão normais quanto possivel. Sempre dá uma alteração acho que no TGO, nunca lembro, preguiça de olhar, mas nada significativo. Colesterol alto, mas mais baixo que em abril. Colesterol bom super bonitinho, como fica sempre que estou em dieta de baixo carboidrato.  Açucar normal alto. Insuficiência (não deficiência) de vitamina D, mas por pouca coisa. Hemograma ok com uma leve anemia (namoradinha da falta de vitamina D… ).

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Vocês se lembram da minha voz?

Uma semana repondo T4. O que eu esperava?  Nada né?  Demora de 4 a 8 semanas para ajustes hormonais entrarem no prumo, pra mais ou pra menos.

Da mesma forma, dose dupla de bup, também demora esse tempo ou mais para ajuste da química cerebral.

E é ai que eu falo pra vocês, e já tinha falado antes, que não dá pra misturar essas coisas de remédios e hormônios com vida. SÓ NÃO DÁ.   Não insista. Vai dar ruim.

Ainda não descobri, obviamente, como você faz pra parar de viver enquanto tá ajustando medicação. Deve ter alguma forma de entrar em animação suspensa, porque é inaceitável, possivelmente cláusula da Convenção de Genebra, esperar que alguém, refugiado de si mesmo, lide com a vida enquanto e por quanto não resolver essas paradas. Mas, sob o risco iminente de me tornar repetitiva (de novo, e outra vez), não mistura essas coisas com vida…

Com problemas mundanos, com prazos, com descasos, com as demandas alheias, com as idiossincrasias alheias, com mudanças de temperatura, com dia das mães que faz você lembrar que sua mãe tá lá, respirando, mas é só uma sombra dela mesma e que ninguém vai comprar flores pra ela inclusive porque ninguém quer que ela lembre que é dia das mães porque ai ela pode estranhar que o pai não vai lá dar feliz dia das mães pra ela, com flores, e ai alguém vai ter que lidar com isso ai: cadê o pai?

Não dá pra lidar com as pessoas em volta com seus problemas, tristes, deprimidas, ansiosas, ou o que quer que elas tenham e 100% não obrigadas a aturar o quão irritada você se encontra. Não deve (ainda) ser T4. Não deveria ser bup.  Não deveria nem ser TPM. Mas você está sentindo (de novo?) aquela vontade de enfiar as unhas no pescoço de alguém, não importando muito de quem, porque a sua irritação não tem um alvo específico, quando muito, toda a humanidade… E quanto mais irritada você fica mais você sente essa vontade de chorar, não por alguma coisa, ou nem por nada, mas parece que a unica coisa que realmente faria sentido no momento, mas presta atenção que nem isso dá pra fazer porque no momento que você dá aquela ameaça de choro, você fica tão irritada consigo mesmo, que dá medo de auto-ataques ninjas de si contra si.

Mas continuo com a voz uns tons mais agudas e uns decibéis mais alta. Sabe voz de gente muito, muito, muito irritada?

E não é como se fosse a primeira vez que eu estivesse me sentindo assim.  Mas eu posso estar fabricando isso pelo medo de estar repondo T4 depois de uma vida tomando tapazol… Ou posso estar de fato com oscilação hormonal.  Ou posso estar só com saudades do meu pai. E da minha mãe como eu me lembro que ela era.  E de mim…

7 dias repondo T4.   Coincidência ou não, cá estou eu subindo pelas paredes all over again.

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Puran de Fé, digo, profissão de fé

É preciso ter fé. Confiar.  Se alguma coisa o ultimo ano e meio da minha vida me ensinou, é que meu controle sobre as coisas é absolutamente circunstancial. É preciso dar sempre o seu melhor, criar oportunidades, não deixar ao sabor do vento. Mas fora isso?  Migxs, a vida vai pra onde ela quer ir.

Isso é assunto pra mais de metro, muita cerveja, anos de terapia, remédinhos pra me impedir de dar tilt e epifanias de todo tipo! Não é propriamente assunto pra blog de tireoide. Mas vamos lá, que confiança é postura de vida.

Eu tive vários endócrinos nesses últimos anos. A maioria não tinha a menor idéia do que fazer comigo. Os que tinham suas certezas eu não consegui confiar. Eu posso sentar e ler toda a literatura médica do planeta sobre o tema, e vou descobrir que não há consenso. Ai tu tem que escolher um pra confiar, né?

Então tá.

Hoje foi dia de endócrino.

Na balança dele, que não conversa com a minha, então a gente só quer saber proporcionalidades, com páscoa no meio, 5kg perdidos.  A gente pega o que a gente consegue. Sem reclamações. Disse que eu estava meio que de dieta, ele falou, “aproveita e faz dieta e meia”. 🙂  Engraçadalho pra cadinho.  Deve ser alguma coisa no ar condicionado daquele consultório!

2 meses sem atenolol e, rufem os tambores, ainda bradicárdica (68 bpm, e olha que eu tava bem ansiosa) e pressão de 10×6. Oi?  Migxs, interna senão morre. Ou pelo menos dá uma cama e um travesseiro ai preu se cair não me machucar.  Minha pressão normal, tipo adolescente normal, era 11×7, 12×8 top.  Minha pressão hipertireoidismo era 13×9, 12×8 quem sabe…

Exame físico, ele apalpa minha tireoide e diz: ela reduziu muito. Era umas 3 vezes maior que o normal. Agora tá uma vez, ou um pouco mais de meia vez o tamanho normal.  Nada de tireoidão pra mim.

2 meses sem tapazol e vocês viram no último post… o TSH ficou dentro do espectro da normalidade (tipo, né?) um mês depois e na sequência subiu feito balão de São João para 8.

Dr. Luiz Maurício sorriu (ele é desses animadinhos com a existência) e disse: “Vamos começar a repor?”

Pausa de 5 segundos para avaliar o “quem fez faculdade de medicina não fui eu, foi tu, então não me pergunta” X “oi, mas péra, me explica, não entendi, preciso entender, me fala!” e pergunto se o T4 normal não seria um problema pra reposição.

Então, ele diz, o T4 demora a mudar e acompanhar o TSH (o que explica o fato do meu T4 nunca ter passado de 3, mesmo nas minhas piores crises, quando o TSH não era possível de ser medido, e na verdade ter ficado entre normal e levemente elevado durante a maior parte do tempo que meu TSH era 0,08… ). Quando ele cai abaixo da normalidade, é porque a gente já está MUITO doente mesmo (de novo, isso explica o fato de que eu tinha MUITOS sintomas de hiper, tipo, mega muitos, mas meu T4 era sei lá, 1,8 se isso tudo!).

Eu sabia disso?  Nhé. Não.
Faz sentido eu jogar T4 nas fuças com ele em 1.2? Nhé, sei lá!
Meu TSH vai ser retroalimentando por essa informação de hormônio extra e cair?  Nhé, Menor idéia…

Mas tem outra opção senão dar uma confiada, e tomar essa parada de Puran T4 75mcg por 3 meses e ver o que acontece (mas que eu que não sou mané e pelo menos saber eu preciso vou dar uma medida a meio caminho, 45 dias, porque sim e não se fala mais nisso!)?  Tem não gente.  Tem não.

Ele que é desses seres que parecem estar sempre animados, já falou: “vai ser ótimo. Você vai ficar menos cansada, mais disposta, com mais energia.”  Eu só conseguia pensar eu com Graves elétrica…  Sem contar que também aumentei essa semana a dose do meus remédios, pra ver se dá uma melhorada no “eu preciso lidar com a vida e a vida tá sinistra de ser lidada…”. E vai ser tudo ao mesmo tempo agora.

Mas esquece… eu vou confiar.  Inclusive porque de uns dias pra cá, eu tenho sono o dia inteiro, e deve ser esse inferno desse TSH despirocado das idéias…

A gente vai se falando. Se eu ficar toda formiga atômica ligada no 220 tomando puran, eu conto pra vocês.

 

 

 

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Alegria de Pobre…

Antes que vocês me perguntem por todas as outras coisas, eu não fiz dessa vez. Como o pacotão estava num exame que tinha glicose e colesterol e eu andei saindo da dieta e possivelmente daria alteração, deixei para fazer depois e fui hoje fazer só TSH e T4L…

Meu T4 nunca foi um grande problema. Fora em 2009 que ele estava ligeiramente aumentado, e em 2012 que ele dobrou (mas em 2012 eu não tinha TSH. Sério. EU NÃO TINHA TSH!), ele nunca foi verdadeiramente alto.   Fico vendo algumas contagens de vocês e o meu nunca chegou nem perto.  E também nunca caiu abaixo de 0,75. Em outubro do ano passado ele era 1 e desde então, regularmente, 1,2 cravado.  Não vai prum lado. Não vai pro outro. Olha pra mim e diz “tô bem aqui. Vou tirar os sapatos…”

Acho que a vida toda (modo de falar né? desde 2009) eu tomei 20g de tapazol. Em novembro de 2011 ou qualquer coisa perto disso, eu me senti mal e parei de tomar tapazol. Podem xingar e brigar. Tudo merecido. Prego insistentemente pra não fazerem esse tipo de bobagem porque eu sei o que ela causa. Juntou em fevereiro de 2012 com uma ruptura grande na minha vida, uma tempestade tireoidiana. Ou quase.  Passei por ela, voltei pro médico, voltei pro remédio, e prometi que no minimo eu manteria o fluxo de exames frequente para que não levasse nenhum outro susto. Em qualquer direção.

Obvio que não foi bem assim.  2013 e 2014 eu andei na linha, tomei os remédios, e em algum momento ajustei a dosagem para 1,5 Tapazol de 10mg dia. Meu TSH normalizou (andava alto, na casa dos 5) mas em outubro ele subiu de novo. E eu parei de controlar.

Vida. Vida é um treco loko. Tu pisca o olho e descobre que aquela unha encravada virou gangrena… e só se passaram 2 anos… opss!  É, não rolou gangrena inclusive pq não teve unha encravada, mas rolou um susto em outubro de 2016 com meu TSH em 7,34  (T4 em 1). Não fui com a cara do médico, mas dois meses depois achei outra e meu TSH estava em 6,1. Ok, não fui com a cara da médica de novo mas fiz o exame que ela me passou e segui a posologia de 10mg, dia sim dia não. E 2 meses depois meu TSH estava 4,65

Tá acompanhando a tendência?  Aha, eu tava.

Mudei de médico. Fui com a cara dele. Ele mandou eu parar com o Tapazol (e eu tava vendo a tendência!) e eu engoli em seco (ou não engoli) e parei.

Ele mandou eu fazer o exame e voltar 2 meses depois. Tipo agora (consulta na sexta), mas vocês sabem que ou eu não faço nada ou eu faço muito. Peguei uma outra guia de exame e no meio tempo, 30 dias, fiz mais um exame.  TSH 4,23.  Gente, que glória. Tá acompanhando a tendência?

Não tô falando do meu T4L porque vocês sabem, impassível, 1,2.  Ele gosta desse lugar, tirou os sapatos, calçou uma meia felpuda e furada, tá com os pés pra cima dentro de mim. Acho que não vai a lugar nenhum.

Ai hoje fui fazer o exame.  O que esperar…?
– Meu TSH pode ter caído muito, voltado a hiper, PQP, hora de algo mais definitivo.
– Meu TSH pode ter ficado mais ou menos por ali, junto com o T4, tudo meio controlado,  olha que glória, universo!

Né? Afinal, olha lá a tendência né gente?  A gente tem fé na tendência porque tendências são… são…

… são é p%$¨#%¨$% nenhuma. Tipo, sério, não dá pra entender essa pinóia.
T4 1,2 (já disse, pediu um chá preto e bolachas. Eu disse que só tem café… Tamos negociando!)
TSH?  8,09
8,09

Eu disse 8,09!!!!!!!!!!!

Mas vai fazer o que? Repor T4 que tá bom?  Enfiar a mão garganta adentro e arrancar essa meleca porque já deu?  Ir na farmácia mais próxima pedir um litro de iodo e um césio feliz pra tomar no lanche?

Sexta tem médico.

Que bom. Pq dessa vez eu não tenho a menor idéia do que esse exame tá me falando.

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Para tudo que eu tô eutiroidica

Com esse título você veio ler, né?  Tô ciente. Eu também viria.

Mas não comemora muito ainda não que são 20 dias sem Tapazol, um pedaço de corte no tempo que não necessariamente vale como uma afirmação assim, de longa duração, né? Inclusive porque exame feito depois de jacar na dieta o fim de semana, deu colesterol e açúcar alto, e a glicosada em franca queda, ou seja, do ultimo exame pra cá as taxas melhoram e esse dia é um ponto fora da curva.   Burra eu que come doce de leite no sábado, arroz no domingo, cerveja em ambos (não como essas coisas, tipo, tem meses!) e faz exame na terça.  Mas eu precisava MUITO saber como estava o TSH e o T4.

Gente, olha que coisa linda. T4, parado no tempo, congelado no espaço, 1.2 e lá fica.
TSH descendo bem devagarinho, 4,23, literalmente na curva da normalidade, abraçadinho, acomodado.  A principio em tendência, discreta e paulatina, de queda, mas nesse ritmo, me daria pelo menos uns meses antes de uma hiper reincidente se ela não parar e se acomodar, e caminhando contra uma conversão em hipo.

Sei lá…  Lá pro fim de abril tem repeteco dos exames para o endócrino que tá marcado pra começo de maio. Vou até tentar descolar um pedido de glicose e colesterol total e frações só pra provar que era um chute fora da curva e que eu não preciso me preocupar. Mas só sei que no momento eu estou com Zero medicação. Zero Hiper. Zero hipo.

De cara. Não acreditava não. Tá me fazendo até acreditar em outras coisas a priori impossíveis… ❤

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Minha vida sem atenolol

Eu fui diagnosticada em 2009, tinha a lembrança de ter sido em 2008 mas eu não sou uma pessoa conhecida por lembranças muito apuradas. E o hipertireoidismo não ajudou muito a melhorar isso ai…

São portanto, 8 anos a serem completados ainda. Comecei a medicação (tapazol + atenolol)  e a interrompi uma unica vez, no final do ano de 2011.  Não me lembro porque parei. Possivelmente porque a medicação me causou uma hipo medicamentosa, e eu não suportei os sintomas. Muito mal servida de atendimento médico na época (ao qual sou grata, dentro da possibilidade da gratidão por tudo que é maior que nada), minha voz não era ouvida, e portanto, meus sintomas ignorados repetidas vezes. Se está tudo ok nos exames…

A gente sabe que Graves não funciona assim.

Quando parei com o tapazol, não lembro se parei com o atenolol. Não acho que tenha parado. O baticum no meu peito sempre tinha sido o pior sintoma, e não lembro dele ter voltado, ou os tremores, ou a constante consciência do meu batimento cardíaco. O que soa poético, até você sentir a alma tremer cada vez que o coração bate.  E como a hiper voltou com tudo, eu deveria estar assim no começo de 2012, minha vida virou de ponta cabeça, e eu me vi com o TSH zerado.

O que causou o que será sempre o mistério não revelado. Assim como o que causou/desencadeou meu Graves, ou quando ele de fato começou. Ele não começou em 2009, com certeza. Ali foi quando a coleção de sintomas era tão imensa, e brutal, que era impossível seguir ignorando. E eu sou boa em fingir que estou ignorando coisas…

Introdução feita, são 8 anos de uso contínuo de beta bloqueador. Doses maiores a princípio, e uma dose de manutenção, de 25mg por mais tempo que sou capaz de me lembrar.

Final do ano passado, na saga de achar um endocrinologista pra chamar de meu, o primeiro, que nem aquela música do Chico Buarque, não pude levar a sério… Num exame muito rápido, sugeriu que eu na verdade tivesse Hashimoto, tomando a parte pelo todo : alguém alí na frente dele que de fato estava com uma hipo medicamentosa  – de novo! – e acima do peso, e enfim, distante da narrativa que contava dos anos pregressos.  Mas alertou para o fato dos batimentos cardíacos estarem excessivamente baixos, sugeriu alternância de dias, mas acabou optando me mandar embora com um pedido de exames e manutenção da posologia anterior.

A segunda, localizada no alto da mais alta ladeira (ok, eu sou exagerada. A gente já sabe disso!), que teria que ser espetacularmente boa pra me fazer voltar lá.  Mas depois de uma espera imensa (da qual ela tinha pouca culpa, mas que realmente drenou minha paciência) , tudo que ela pode focar era no meu peso.  Eu insistia em conduzir a conversa para o meu Graves, e ela de novo, focava no meu peso.  Mas meu exame mostrava um TSH descontrolado, e ela fez a tal política da alternância, mas com o Tapazol.

Os exames seguintes confirmaram ter sido uma boa idéia. Não boa o suficiente preu subir aquela ladeira e aturar ela falando do meu peso bem no meio do meu luto onde eu cometia auto-indulgências diárias pra aguentar mais um dia.

E agora, o terceiro, que me retirou de um dia pro outro do Tapazol e do Atenolol.  Do Tapazol nada a falar. Não vivo mais no fim do mundo, onde um pedido de exame era difícil de conseguir e eu pagava do meu bolso ou entrava na fila do SUS.   É facil fazer um exame caso sinta que o barco tá virando pro outro lado…

Mas o atenolol é outra história. A muleta que impede que o coração vá parar no meio da garganta a cada plot twist do meu dia a dia. E acreditem, tem havido muitos.

Mas estou entrando nessa com o coração aberto (com perdão do trocadilho)… Mas como tudo nessa vida, observando e registrando.

Eu sei que parei o Tapazol junto, estou tomando outros medicamentos, em dieta de baixo carboidrato, acho que estou com um terçol e a vida não tem sido propriamente tranquila. Mas estou anotando como meu corpo reage. Vai que…

  • Desde ontem, com MUITA do de cabeça do lado direito. Faz um pressão.
  • Estou bastante enjoada. Mas pode ser excesso de ovo (dieta de baixo carboidrato tem dessas coisas)
  • Muito irritada. Mais que o habitual
  • Batimentos em 65/70 em repouso
  • Qualquer movimento (tipo tirar a roupa da máquina, trocar areia dos gatos, etc) pula para 85/90
  • Alguma palpitação, mas não o tempo todo.

Amanhá é dia de ir pro trabalho, de pegar ônibus, de andar até o escritório, subir no elevador que me deixou presa (longa história) semana retrasada, lidar com os prazos e as pressões do dia, enfim, vamos testar essa parada ai.

Mas já entendi que vou ter que comprar mais neosaldina… Ao menos pelos próximos dias!

 

 

 

 

 

 

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Seus problemas acabaram, mas não ligue agora…

Primeiro, menti para vocês na cara dura, né? Falei que vinha contar quando tivesse os resultados dos exames e obviamente esqueci. Foi mal ai, viver anda me tomando muito tempo!

Pra pagar o devido, vamos lá. Tinha o que? Um mês com o tapazol em dias alternados? Dois meses?  Só sei que o TSH caiu para 4,65 (apenas ligeiramente alterado) e o T4 impassível, em seu ‘1,2 daqui não saio, daqui ninguém me tira’. Hemoglobina glicada também tinha caído e seguíamos a vida.

Ai consegui um endócrino novo. Razão do post de hoje. Primeira consulta, vamos lá. Como foi indicação de amigo, esquemão camarada, eu estava torcendo muito para rolar empatia. Que foram incontáveis endócrinos e idas e vindas de 2008 pra cá e eu confesso que eu já estava jogando a toalha. Tava quase arrancando a bicha eu mesma, enfiando a mão garganta adentro até achar minha borboletinha do mal.

E então amad(x)s… Tenho boas e más notícias.

[Nota da editora: aqui a autora faria uma graça do tipo, “a boa notícia é que eu ainda não morri”, “a boa notícia é que tem pouca má notícia”, “a boa notícia é…sei não, vamos as más notícias”, mas levou pito do psiquiatra essa semana mesmo por ter esse padrão de ver sempre o pior em tudo, reclamar antes de digerir, e ficar agarrada num love louco com as más notícias ao invés de olhar, compreender, colocar de lado, e ver se há com o que se lidar depois de tempo para processar…  E eu tava vendo o padrão se formando enquanto pensava nesse post.  Então bora lá quebrar o padrão.]

Comecemos então pela má, que é só uma má notícia pra minha filha na verdade… Afinal aquele trequinho de me medir disse que eu tenho 1,59 como SEMPRE afirmei para ela, o que significa que a coisiquinha tem menos que isso. Ela me colocava com 1:62 ou 63, só pra se dar 1,60.  Pobre alma.  Emprestarei meu ombro pra ela chorar.

E aí vamos desconstruir as outras pseudo más notícias:

O peso estava bem maior do que o que eu me pesei de manhã em casa. Fiquei uns intantes sem palavras, mas ai me toquei que seja por que balança for, eu perdi 8 kilos de janeiro pra cá, então ainda que falte bem mais do que eu pensava, falta pela balança dele, eu vou me pesar em jejum e com pouca roupa é na minha, logo, que se estrepe a balança dele, certo? E depois fique em dúvida, se não era BEM MENOS do que eu me pesei de manhã em casa… Fiquei na dúvida séria, eu tava meio em transe quando ouvi e posso ter confundido os números…

Ele cagou pra minha glicose (normal namorando o alto), pro meu peso (sem comentários), etc… CA-GOU.  Perguntou quanto eu engordei depois que parei de fumar, e anunciou meu peso ao terminar de me pesar. Mas foi o MAXIMO que ele falou a esse respeito. Eu tinha ido lá por uma história pregressa de Graves, então é isso que era o importante.  O índice de empatia foi nas alturas. Não é que ele de fato estivesse cagando. Ele olhou meus exames passados com o maior cuidado, vez várias anotações na ficha, fez várias perguntas pertinentes sobre outras coisas que afetam nossa vida endocrinológica, mas eu não tinha ido lá pra perder peso, ou pra não virar diabética, ou …  O fato do fornecedor do serviço, no caso o saber médico, acatar a demanda do consumidor, no caso o paciente, dentro dos limites responsáveis de saúde pública ou questões preementes, é uma das coisas que eu mais procuro em um médico.  O “Vá procurar um nutricionista”, da médica anterior, tá entalado na minha garganta até agora…

O exame foi mega completo, as perguntas bastante amplas. Fazia tempo que um endócrino não me mandava deitar na maca, não procurava por outros sinais que não meu bócio visível, que gastava tempo com o exame clínico e com a anamnese, ouvindo mais do que falando.  Sério. Agora lembrando, fica mais visível ainda que ele falou muito pouco. Perguntas. Comentários. Pontos no meio da fala coletiva da minha história, que veio pela minha voz e pela tabela de exames que eu, neuroticamente, deixo atualizada desde 2008!!

Ele chamou minha tireoide de tireoidão. Eu podia ficar mortalmente ofendida com a constatação do óbvio. Nem precisava da ultra, era só olhar meu bócio. Logo, achei que não valia a avaliação de que se tratava de um ponto negativo.

Ele pareceu overconfident. “Acho que seus problemas acabaram”, dizia ele. “Vai por mim”. E eu podia então falar pra vocês que gente que confia demais em si mesmo é sempre roubada… Mas olha só, vai que o cara tá certo?  Eu já dei chance a ele?  A médica que nem olhou pra minha cara e me mandou procurar um nutricionista estava certa em reduzir meu tapazol.  Que seja dado isso a ela. E eu nem tinha ido com a cara dela (na verdade, eu não tinha ido com o descaso que ela teve pelo meu relato e a importância que ela deu ao meu peso!). Dr Luiz Maurício ao menos prestou atenção na minha pessoa. Não tenho nenhum motivo para achar que ele está errado. Apesar do medão. Vocês vão entender a razão a seguir…

Ele mandou eu parar com o Tapazol.  Ele acha que a hiper não volta, mas que de qualquer forma, não era preu estar tomando mais tapazol depois de tanto tempo. Pelo comportamento do exame depois de alternar os dias de tapazol, parece que tem uma hipo se formando… A questão é quando. Então é acompanhar para ver se e quando converte, e entrar com o hormônio sintético.
Eu me borrei toda de alternar. E dois meses depois, o TSH não estava mais aquele absurdo. Mas também não caiu despencando. Nem alterou o T4…  É esperar pra ver.

Ele mandou eu parar com o Atenolol.  Nessa hora eu retruquei. Ah,se retruquei. “CUMA?”  Então, segundo ele meu batimento cardíaco está PERIGOSAMENTE baixo. Se de fato não tiver hiper voltando, ele vai normalizar sem o atenolol.  Disse que qualquer coisa eu podia ligar pra ele. Que se desse ruim a gente voltava. Mas que com aquele BPM, eu tinha que parar (uma vez que já estou tomando a dose mais baixa possível).  Eu andei muito preocupada com a amiga que tava no desmame do atenolol esses dias pra trás e, mordendo minha língua, lá vou eu desmamar também.

Vai dar tudo certo. Na verdade, já deu. Porque se der errado tem quem olhe, corrija, converta, resolva. Eu tenho plena consciência da máxima que tudo pode piorar. E tem piorado de 2016 pra cá em ondas incessantes. Tô falando que levei pito do meu psiquiatra porque aparentemente eu estou começando a me acostumar com as pioras, e esperar por elas, e fazer quase nada a respeito.

A maioria das vezes eu não vejo o padrão. Ultimamente eu tenho visto. E eu não estou gastando uma baba de remédios e terapia pra ver o padrão se formando e ainda assim fazer post pessimista de fudeu tudo eu vou parar com o Tapazol e o Atenolol…

Portanto, vai dar tudo certo. Na verdade já deu. E você já pode ligar agora.

 

 

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Escrevam o que eu digo. (ou não)

Eu falei que ia sumir, não falei?  Eu sou sempre arrebatada por coisas, momentos, situações… Eu sempre me perco e não consigo manter constância.   Mas dessa vez eu avisei!

Então, pedidos de exames na mão, esperando um dia viável para fazê-lo. Marido de amiga passou vários pedidos, inclusive de outra ultra, mas vou guardar para a posteridade, porque fiz uma muito recentemente…  E o plano é fazer até semana que vem.

Ainda deprimida mas melhor. Ainda com oscilações de humor mais melhor. Ainda gorda mas … não, só ainda gorda. Mas voltei pra low carb.  É a única dieta que consigo seguir, e quando ‘jaco’ consigo voltar, ou não usar o raciocínio “já que já comi isso que não podia…”.  Perdi uns 4 kgs. Mais 26 e vou ficar joínha!  ahhahahaha… o programa dá o peso que eu deveria ter aos 18 anos de idade. Sério, mais uns 16 kg ou com muita sorte uns 20 kgs e eu já estou radiante de feliz e me sentindo a magra.  4 ja foram.  Pensamento positivo (disse a deprimida)…

De resto, continuo desequilibrada, “A” louca da tela grande, em cantinho novo (reorganizamos a  sala) e em breve, na sala nova (consertamos o ar condicionado do trabs), e eu vou roubar a salinha pra ficar feliz no friozinho e longe das distrações (e o povo longe das minhas maluquices (…

Porque distrações estão sendo meu martírio. ZERO FOCO. Parece como no auge da hiper, mas pode ser  o resto da depressão, a velhice, sei lá… Ai tô usando aqueles sistemas de 25 min de produção focada e 05 min de pausa consecutivamente e adorando.  Não funciona em dia de reunião ou demandas loucas, mas no dia a dia, tá me quebrando um galhão. Isso e anotar tudo num caderninho (bullet jornal) que vai pra onde eu for.  Tá tudo lá. Se eu esquecer, é só folhear e ser lembrada!

Fazendo o exame eu venho contar os resultados…

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Só sei que nada sei.

Então. Fui ontem fazer os exames. A título de informação, glicose aumentou, mas ainda normal, e a hemoglobina glicada caiu, um ponto abaixo do limite da normalidade. Ainda preciso parar com essa alimentação a base de sorvete, de chocolate e de sorvete de chocolate. Acredito que isso não deva fazer bem. Mas é só um palpite! Inclusive porque eu não como só isso. Tô esquecendo do café. Que é grão, né?

Mas ai vem a parte interessante do exame.
Tô contando pra vocês que tô falando mais que a nega do leite, agitada, tremendo, irritada, descolamento distal, esquecendo das coisas, alguém reconhece os sintomas?  Então eu também.
Mas também ando deprimida, cabelo caindo, unha lascando, ganhando peso (ops, esquece isso, eu esqueci do sorvete…) esquecendo das coisas, alguém reconhece os sintomas?

Então na verdade eu não sabia o que o exame ia trazer. Sabia que era só um recorte. Mas queria que fosse um recorte que fizesse sentido. Não fez.

Na verdade, justiça seja feita, falou a favor da decisão terapêutica da ultima Endocrinologista do Ladeira acima e minha vida abaixo… :
TSH 6 e uns quebrados. Ainda acima, mas melhor que 7 e tal.
T4 L em 1,2, ou seja, ainda normal, embora mais que o 1,0 do exame passado.
Numa primeira olhada aí de quem não vive dentro do meu corpo? Hipo subclínica em regressão?

Não vou acertar a dose do Tapazol. Sigamos, dia sim, dia não, e exame no próximo mês.
Não vou acertar a dose das SPAs, já tô tomando tudo que preciso para dormir de noite e não chorar de dia a caminho do trabalho. Tenho meu psiquiatra ao alcance do meu telefone se tudo der errado e consulta marcada pra fevereiro, se o universo assim o quiser.

Vou tentar observar todos os dias que eu esteja assim, com esse nó na garganta. Com essa vontade de não ser. Com essa impaciência com o outro. Com essa dureza para comigo.
Vou tentar tirar do cenário a vida, e olhar pra mim de cima, sem as pressões no trabalho, que andam dolorosas, e sem as dores do cotidiano, sem a saudade do meu pai, o fim de ano, o calor, essa crise existencial de quem chega num ponto da estrada e se pergunta: É só isso?

Vou tentar sobreviver. Sobre a vida. Olhando para ela, nesse estranhamento de quem não se contém. Ou se controla. Ou se entende. Ou …

Não sei o que eu queria ver no exame. Um !Sabia!.  Um eu te disse. Um médica louca. Um vai ficar tudo bem. Eu não sei.  E eu que sempre digo que é sempre um recorte do real, que o TSH tem um pico demorado, meses para o resultado aparecer em exames, o T4 um pico rápido, e que o exame só pega o acaso ou a constância.

Eu não sei o que eu queria. Queria pílulas mágicas. Tomei e não só estou funcional como viva. Feliz. Esperançosa. Confiante. Aberta às estações e suas mudanças.

Mas estou apenas funcional. Quase. As vezes. Alguns dias.

A simpática gorda louca do cubículo do canto, da tela grande, da mesa bagunçada, do gargalhada alta, das tiradas sarcásticas, do choro preso, do medo engolido… Melhor não mexer com ela. Vai que morde. Tem dia que sim.

PS: Sem saco pras repostas. Tem várias pendentes dos últimos 2 posts. Respondo quando responder.

 

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Retroalimentação

Eu tava me achando estranha, mas não tava muito certa se era remédio da depressão impregnando, se era a alternância de tapazol, se era o fim de ano chegando, sei lá.

Ai semana agora vou eu pra minha consulta com o psiquiatra. Eu tinha tido uma palpitação de manhã, mas tava com o bpm baixo então não dei muita trela. E tava ok, morrendo de calor mas ok, sentada lá esperando. Foi eu entrar, sentar, ele perguntar como eu ia e …. pois é….

Comecei numa verborragia, dessas que mal dá pra respirar entre as palavras, e as conexões cerebrais começaram a ficar lentas demais, e eu não lembrava as palavras mas continuava falando e puxando com e ai e ai e ai , emendando assuntos, fazendo recortes, indo e vindo.

Só isso tudo? ele perguntou. E você acha que você está assim, mais agitada que o normal?

Até ali eu não tinha percebido. Eu estava assim tinha dias. Alternando irritação com agitação com tristeza com apatia. Olhei pra ele enquanto me sacudia na cadeira. Estendi a mão, e ó lá: ela tremendo.

As unhas, entretanto, lascando que nem papel velho, bem hipotireoidismo, mas quando estendi as mãos (e elas tremiam) notei que todas as que não estavam curtíssimas por terem lascado, estavam com princípio de descolamento distal. mais hiper impossível.

A montanha russa tinha acelerado e eu estava alternando sintomas tão rapidamente que eles começavam a estar presentes ao mesmo tempo, porque não dava tempo de um sumir e o outro aparecer, se é que isso é possível.

Sai com a promessa de agilizar os exames, o que não consegui fazer ainda (prestação de contas + comida desregrada em horários estranhos, dificil estar em jejum e o pedido está com glicose junto!) mas nos planos pra semana que entra.

Ato contínuo, usando a fala do endócrino anterior a essa que já é passado também (sério, não quero subir aquela ladeira de novo pra ouvir alguém que não me inspirou confiança e que aparentemente não acertou no tratamento), que cogitou alternar os dias do beta porque meus bpms estavam muito baixos (casa dos 50, sem ser em repouso absoluto), eu ‘esqueci’ de tomar o atenolol na sexta (levei na bolsa, sou louca, mas tipo não esse tipo de louca! Era um teste mesmo).  E durante o dia os bpms paulatinamente aumentando, como se o da véspera fosse progressivamente, chegando a 120 quando eu cheguei em casa e coloquei o remédio pra dentro, prometendo que não ia brincar com isso mais não. Mas de resultado:
a – a posologia de alternância do beta bloqueador não é possível no momento.
b – sem beta bloqueador, a taquicardia é sintoma presente ao menos em dia sem tapazol.

Preciso de outro endócrino.

Não sei pra tratar o que, exatamente… A impressão que eu tenho é que eu teria que fazer a dosagem por 2, 3, 4 dias seguidos para ter uma idéia do que está de fato acontecendo, porque muda tão rápido, que o exame, recorte daquele dia, não diz o que é preciso saber.  E de qualquer forma, tapazol dia sim – dia não não deu certo. Não deu pra mim. Não deu ainda e eu não vou conseguir levar por muito tempo para ver se vai dar certo com o tempo. E está me enlouquecendo.  Só que sem ver os exames, não dá nem para ajustar no olho…

Como se não bastasse a vida.

A medicação para depressão e ansiedade mantém tudo assim controlado (most of the days. Hoje por ex, se me der boa noite atravessado vou começar a chorar..) , mas a linha basal é …. então, estou sem linha basal.  Debaixo do controle mínimo da medicação, tem um caos borbulhando, que é tireoide a maior parte do tempo, mas é o longo caminho de volta dos processos de reconstrução pós quebra. Mas eu fico com a certeza que uma coisa não vai se resolver sem a outra. E que uma coisa está diretamente interferindo na outra. E eu estou retroalimentando doença…

Mas relevem. Hoje foi um dia ruim. Desses que você fica se perguntando o que tá fazendo por aqui, mesmo, porque não tá fazendo muito sentido….  Passa. Mas o fato de acontecerem esses dias com frequência, e quase a ponto da incapacitação (E eu sou muito, muito dura comigo mesma. Não quero ficar usando a carta do “me deixa, estou deprimida”, porque eu realmente acho que eu já tinha que estar melhor, bem melhor, 100% melhor. E cada vez que há um dia em que não estou eu não sei o que pensar.)  só confirma que os males estão se retroalimentando.

Definitivamente estão.

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A montanha russa

Então, eu não contei pra vocês. É sempre um risco eu ficar tão ocupada ou tão desanimada que suma… E ai quando penso em escrever eu falo: nossaaaaaa, mas tem que contar tantaaaaaa coisa……   É. O nome disso é preguiça.

Semana passada foi uma boa semana. Em algum ponto da semana eu acertei na medicação pra dormir. O suficiente pra dormir bem, pouco o bastante pra não ficar chapada nem um pouco no dia seguinte. Me senti normal a maior parte dos dias, nem alegre nem triste, o que pra mim já era lucro.

Lá pra 5ª feira, eu tive um surto de energia. Primeiro pensei tireoide. Mas era dia com tapazol. E eu não estava com energia errática, eu tava focada, top of my game, produtiva, capaz de resolver problemas, destrinchar tarefas, memória super up, lembrando de tarefas pendentes esquecidas, onde estava o que, enfim, eu estava ÓTIMA.  Ai pensei que devia ser um misto dos remédios impregnando com a nova terapeutica do tapazol. Só voltei a achar que não era uma coisa boa no dia seguinte, porque na noite de quinta, eu não dormi, apaguei. E foi muito dificil, doloroso até levantar na sexta feira. Foram várias tentativas frustradas, os olhos não abriam. Eu estava esgotada como se alguém tivesse drenado toda e qualquer força de dentro de mim. Quando cheguei no trabalho já estava no 220 de novo, mega ativa, terminei todas as tarefas, inventei novas e de novo, ao chegar em casa, eu desliguei como se alguém tivesse arrancado a bateria de mim.

Foram só esses dois dias. Pensei em adiantar meus exames, mas meu pedido inclui o de glicose, o que significa jejum prolongado, o que não ia rolar nos dias que eu tinha disponível. No fim das contas, se foi um pico de T4, passou.

Ai na semana seguinte, eu cai na outra direção, na 4a feira. Recebi duas notícias ruins, um aborrecimento bobo no metrô, uma conta cara na farmácia, um retardamento mental entre eu e meu bilhete de ônibus e de repente eu era um poço de dor e sofrimento, me esvaindo em lágrimas e palpitações, numa crise de ansiedade digna que me fez tomar o tal do S.O.S. (um rivotril sublingual de 0,25) que eu sempre tenho pânico de fazer na rua sozinha (eu tenho pânico do que pode me tirar do pânico, sou dessas, me julguem!).

Não senti grandes melhoras, e fui chorando, o mais discretamente que deu, até em casa, onde abracei longamente meus filhos, comi algo, desabafei por mensagem com meu amigo e depois fui dormir (mal).

Quinta parecia a tal da sexta anterior, não conseguia me mover, sair da cama era uma espécie de tortura. Fui trabalhar sem maquiagem, com o cabelo preso de qualquer jeito, e ainda levei um tombo no meio do caminho, rebentando meus joelhos e me enchendo da mais profunda auto-comiseração.  O dia nem foi ruim, mas eu de novo estava dispersiva, sonolenta, pouco produtiva.   Até peguei uma tarefa no fim do dia, e gostei do jeito que ela se desenvolveu.  A completei hoje, com sono de mais uma noite mal dormida, e colocando fé em novas combinações miraculosas de quimícas para tentar voltar a dormir bem (tudo devidamente conversado com o psiquiatra, que sou doida, mas não sou doida!).

O quanto tem haver com a meia dose de Tapazol?  Ainda curiosa sobre como a tireoide está reagindo, estou atrás de um pedido sem glicose , ou até de um outro, completo (se eu gastar o meu agora, preciso de outro pro começo de dezembro, para dar tempo da metilformina fazer algum efeito, então de qualquer forma, preciso de outro pedido… );Até lá, depois de achar que eu estava ficando bem, o meu ‘normal’, descobri que é só um alto de um caminho de altos e baixos.

Mas eu sou perseverante. E eu não estou sozinha. Em nenhum sentido que eu queira atribuir, ao menos, nenhum sentido relevante.

Um dia de cada vez.

Um dia de cada vez!

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Mas os meus cabelos…

De novo, lá vou eu pro dermatologista com a queixa padrão de todo sofredor de qualquer anomalia tireoidiana…

Na verdade fui tratar minha rosácea (não falo nada… toda bichada!) e um cisto sebáceo que eu tenho no couro cabeludo, Mammys tinha também, deve ser algum karma familiar. Mas aproveitei e me queixei das unhas escamando e do cabelo que cai.

Achei que ela fosse me entupir de vitaminas, passar tônicos milagrosos, e dizer não tema, com uma ida ao dermato não há problema….

Ledo engano. Ela olhou bem pra minha cara, e falou: você já me apresentou a causa. E eles vão parar de cair quando você estabilizar esses hormônios.  Depois que viu os exames então, e meu TSH lá em cima, ela fez aquela cara de: CQD…

Como queríamos demonstrar, se não for o tapazol, vai ser esse TSH e essa hipo subclínica aqui…  O CABELO VAI CAIR E A UNHA VAI DESCAMAR/QUEBRAR.  Tipo assim, foi mal aí.

Mas passou uma linha de shampoo, creme, fill in, sei lá mais o que de um milhão de dólares pq achou meus cabelos muito secos.  Isso e os remédios de rosácea me fizeram deixar meu figado e o rim direito na farmácia ontem.

Mas pra que que existe 13º salário, né?  Não é pra deixar todo na farmácia?  Achei que fosse.

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Um dia atrás do outro.

Nada como um dia atrás do outro. Ontem eu tava ótima. No exato ponto do alheamento dessa gritaria pós-eleição onde eu estou ciente e ligada, mas não me deixando afetar. Apareceu serviço pra mais de metro a ponto de ser necessário uma to do list pra não deixar nada importante de fora, e fiquei até o último badalar dos sinos no escritório. Ainda assim voltei tranquilona, lendo, vim caminhando leve pela rua, descansada até. Cheguei em casa para meu pequeno núcleo de caos e decidir não dar confiança pra bagunça. Arrumei algo pra comer, tomei os remédios, avisei pra manerarem no barulho e fui dormir.

Nem foi assim a melhor das noites, mas eu estava com essa sensação de tudo entrando nos eixos. A sensação de ter retirado correntes que eu andava arrastando pela vida, de que o esquema de medicação, todo ele, estava funcionando, incluindo o alternar do tapazol.

Ai amanheceu a terça. Eu queria muito ter ficado em posição fetal na cama quando o despertador tocou. Fiz um post meio que polêmico na véspera, levei bordoada e nem liguei.  Respondi de boa, feito uma mocinha, sem levar pro pessoal.  Ai no dia seguinte liguei pra tudo. Tudo doia. Tudo parecia pessoal. Vesti um sem número de carapuças mas fiquei quieta.remoendo.   Até que o trabalho rendeu até a hora do almoço, mas depois eu me envolvi com uma tarefa inglória e infrutífera, que me deu uma sensação horrorosa de fracasso…  Voltei pra casa me sentindo moída, triturada e atropelada. Esperei uma eternidade por um filho no mercado pra me ajudar com pequenas compras , quase socando o carrinho de irritação. Enchi o carrinho de bobagens que eu tinha prometido dar um tempo.  E vim pra casa mal conseguindo andar, reclamando da vida, dizendo o quanto eu destesto gente.  As correntes de volta, me puxando pra trás, vontade de sentar no meio fio, desistir, deixar tudo pra lá…

A um ponto do caminho eu me vi pensando que eu queria chegar em casa logo. Não pra relaxar, comer algo, assistir alguma série, sei lá, essas coisas que deviam motivar as pessoas a chegarem em casa. Eu queria era tomar o remédio e dormir.  E fiquei meio assustada.  Meio que me olhei de fora e vi o desequilíbrio, sabe?

Esse post, até esse ponto, podia estar no Tudo e Nada. É bem pessoal e desabafo. Mas eu acho que tem haver com a depressão, a ansiedade e a tireoide, tudo junto e combinado. Me fez pensar que tenho que começar a observar se fico melhor nos dias com ou nos dias sem tapazol. Nos horários dos remédios. Nos detalhes onde o diabo se esconde.

Porque me avisaram, sobre todos os meus males, que haveriam dias ruins, dias péssimos e até dias bons… Eu é que fiquei muito cheia da soberba do dia bom.

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Fenergan meu amigo de fé, meu irmão, camarada…

Começamos sempre pelo disclaimer: Crianças, não façam isso em casa. Nunca. As idéias cretinas fora da caixa precisam sempre do aval do seu médico!

Mas eu já estava achando que nunca mais dormiria. A cada dia que eu ia me lamentar, meu psiquiatra subia um tiquinho o rivotril, muito módico e consciencioso que ele é. Eu tava querendo pegar ele no tapa (posso não, além de um doce ele faz artes marciais, eu ia me ferrar nessa parada!) e falar: FIO, ME DOPA QUE EU PRECISO DORMIR.

Isso sou eu que não gosto de me sentir fora do controle, dopada, chapada, fora de mim…  Mas tava brabo. Acordar de hora em hora?

Ai ontem ele pergunta:
– Você já tomou Fenergan?
– Essa p%rr@ não é anti-alérgico?
– É. Mas tem efeito sedativo. toma um hoje junto com o rivotril.

Até li na bula pra ter cuidado quando tomado com algum depressor do SNC pq chapa mesmo.

O problema, tipo problemão, é que eu fique trabalhando até as 19. Quase 2hs até chegar em casa. Ai janta. Ai troca de roupa. Limpa o rosto. Escova os dentes, toma os remédios e …. Tarde pra caramba eu tomei os remédios hoje.

Miga(o), eu MORRI!  Tipo, apaguei. Tipo,  meu filho chegou sem chave e gritou horrores lá fora… diz ele que esperou uma vida. Eu finalmente acordei, fui me arrastando pelos corredores, abri a porta, voltei a dormir e só voltei a vida as 6:10 com o despertador.

Voltei a vida virgula, que eu tava chapadassa, e fiz tudo meio falando bobagem da cama (Letícia levanta. Leticia, já deu a hora. Leticia, boa aula, Letícia.. ih, acho que ela já foi) e levantei as 8:00, ainda chapada, trocando a língua…

Meu filho chegou a pedir: Ô mãe, avisa quando chegar no trabalho tá? Boa sorte aí que parece que você vai precisar!

Vim dormindo de sonhar no onibus. Quase perdi o ponto. E ainda paguei o mico de ir para trás quando a saída era no meio do ônibus. Dahn!

E tô aqui, ansiosa pela minha cama, pelo sono sem interrupção, mas tentando fortemente trabalhar e cumprir a demanda urgente que caiu no meu colo ontem. Mas quem liga para demanda urgente se também no meu colo ontem caiu um fenergan?

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Eu só queria dormir.

Terceira tentativa de fazer um pequeno relato sobre minha TAG (transtorno da ansiedade generalizada), minha TAS (transtorno ansioso social ou fobia social) e minha, essa pontual, depressão que veio do luto e perdeu o controle.
Terceira tentativa de contar como estou tentando me tratar, mas como tem dias que tenho a impressão que todos os remédios são feitos de açúcar estragado: tem efeito colateral, mas é só…
Terceira tentativa de contar pra vocês de que apesar de não estar em momento hiper (alias, meu TSH… então… como era grande meu TSH! ), estar sofrendo de uma insônia que nunca tive… Eu durmo, fácil, até sem remédio eu tava dormindo… Mas acordo a cada hora ou 2 horas ou coisa assim. A noite toda. TODAS as noites. E eu já perdi a conta de quantas… E que isso é forma de tortura por aí, e comigo está sendo minha realidade diária.
Terceira tentativa de dizer pra vocês que eu só quero dormir. 6 horas seguidas. Se possível 8.

Dia desses fiquei na cama por 14 horas, num fim de semana. Foi como se nem tivesse deitado. A cada hora eu abria o olho, e mudava de posição. Ao fim das 14 horas meu corpo estava dolorido, e eu, com muito sono…

Toda vez que escrevo parece muito lamentação. Ou muito exposição. Apago. Mas enfim, só para contextualizar vocês, que no topo desse momento eu não tenho a menor idéia do que está acontecendo com a minha tireoide, eu tô vivendo um luto que virou depressão e um descontrole (quem executa mecanismos de bypass quando tá deprimido?) das minhas condições prévias de TAG e TAS. Tentando tratar tudo. Tentando sair do outro lado.

Posso, e provavelmente não farei sentido algumas vezes. Tô dando esse disclaimer pra todo mundo que convive comigo, inclusive vocês que me leem. E tenho tentado escrever porque no passado isso me ajudou M U I T O .  Então pode ser que vocês leiam alguma bobagem aqui ou E nada mais. Relevem.

Vamos trocando experiências que uma hora dessas estaremos todos bem. ❤

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Então? Só que não. Crônicas de uma tireoide descompensada

(editado as 9:55 da manhã para corrigir os erros que o estado chapadão da véspera não me deixou ver… )

Não sei nem por onde começar. Talvez um bom começo seja dando  o devido desconto ao meu mau humor, meu cansaço e esse desejo por soluções mágicas ou pelo menos do tipo que você adiciona água e agita bem.  Não tinha pra hoje.

Marquei consulta com médica recomendada no Hospital São Vicente de Paulo. Só que a amiga não atinou de avisar que entre a porta de entrada, duas quadras respeitáveis do metrô, e o local da consulta tinha uma alameda infinita que de súbito virava uma ladeira íngreme e impiedosa.

Fobia social de c* é r&l@… Rolou foi pânico de dar um único passo mais do que o necessário, comigo suando feito sei lá o que sua assim. Isso ou eram os remedinhos fazendo efeito, só sei que depois de uma ligação pra amiga pra ver indicações básicas, sai perguntando pra tudo quanto foi segurança, recepcionista, enfermeiro e até objetos inanimados o caminho da recepção. Ok, esses últimos foram só em pensamento.

Cheguei na recepção milagrosamente na hora, peguei minha senha (depois de ir me informar no balcão e ter que ouvir aquela voz melosa: Senhora, tem que pegar senha senhora… )  Ok, sentei pra esperar, meu número aparece no visor, eu levanto e ela lá de longe, ainda na voz melosa: senhora, estamos com problemas no computador, peço para esperar mais um pouco,senhora.   Que que tem? Não tava fazendo nada mesmo, além de me esvair em suor.

Finalmente faço a ficha, mas descubro que o caos está instaurado. O andar está sem sistema, os médicos em polvorosa no corredor, porque não conseguem acessar o histórico dos pacientes, emitir receitas, pedir exames, olhar imagens, imprimir sabe o que… Ok, mas vou lá pra perto da sala onde me mandaram, para descobrir que tem pelo menos 4 pacientes na minha frente.  Acho que não começamos essa nova relação médico paciente com o pé direito…

Não rápido o bastante pra eu achar que ela está enxotando paciente, nem tão demorado pra eu desistir e sair correndo daquela sucursal do inferno, a médica manda me chamar.

Resumo 8 anos de mal crônico com idas e vindas em coisa de 5 minutos. Quem disse que depressão não tem suas vantagens? Olha minha recém adquirida capacidade de síntese e laconicidade.  Entrego o ultimo exame, incluindo ultrassom, e minha planilha que tem todos exames feitos desde 2009.  Eu sou um horror pra cuidar de mim, ou organizar meu espaço externo, mas se envolver planilhas, eu terei as melhores.

Ela começa com um discurso de que não está vendo nada de muito complicado ali, e daqui a pouco se embola na lógica da hiper que virou hipo que …  Se não era Graves, podia ser uma tireoidite, mas que tireoidite sobreviveria 8 anos de tapazol?  E se com aquela dose, baixa, de tapazol, meu TSH estava alto, como não estava ainda mais alto quando a dose era maior?  E se em 2012 ao suspender a medicação, eu tive uma  tempestade tireoidiana, como o retorno da medicação, de 2013 em diante, controlou o T4 mas oscilou o TSH? Mas você não tomou Tapazol esse tempo todo, ela perguntou, olhando as oscilações dos hormônios… sim, tomei, exceto por 3 meses que resultaram numa crise de hiper sem precedentes.

Se eu perguntasse : “o que eu tenho afinal doutora“, seria possível ouvir grilos ecoando do infinito e além. Ela não sabia. Nem eu.

Não contem pra ela, mas por uns instantes ela sabia tanto da minha doença quanto eu… Tipo: é um treco… na tireoide… que reage ao tapazol. Mas que nem tanto… que dá bócio… mas que… ah não sei.   Ok, amiga, estamos juntas nessa mesma dúvida. Fato que tu estudou essa parada e se especializou e eu a sofro, desde antes de 2009, mas  não vou ser assim a pessoa mais exigente do mundo. Era, no alto da alameda, o que tinha pra hoje.

Reclamou do meu peso, da minha falta de exercícios, da hemoglobina glicada um décimo de ponto acima do ideal. Não ia ser uma boa endócrino se não fizesse isso.  Não uma assim pra minha tireoide, mas ok, quem está contando o score?

Me deu cloridrato de metformina (papis tomava… e o nó na garganta não veio só por conta do tamanho imenso do remédio, que ao menos sai de graça na farmácia popular…!) pra ajudar na perda de peso e num possível inicio de resistência à insulina que o exame de sangue meio que apontou mas assim lá de alto, mas mandou de novo, de novo, e outra vez, procurar a nutricionista (chances remotas. Elas falam uma língua que não é a minha , me propõe coisas que eu não consigo cumprir, tem dificuldade de compreender minhas compulsões alimentares, e acabam me sugerindo trocas que me fazem comer mais do que antes… preciso é parar com as auto-indulgências. Trabalhando para colocar prazo nisso!!!!)  e exercícios  (caminhar, talvez, não sei, tá difícil, chego em casa as 8 quase, e é hora de tomar remédios para agora já estar babando de sono tentando terminar esse post… caminho que horas?   Sério, não sei. Os dias são muito curtos quando a gente arrasta essas correntes de tristeza e desânimo, o que são círculos viciosos, eu sei!!). A impressão que eu tive olhando a receita de metformina foi aquela de : Não sei tratar sua tireoide não, mas essa glicose aí é comigo mesma!

Então, e pra tireoide?  Razão pela qual eu subi aquela ladeira toda, diga-se de passagem… Uma linha de ação tão boa quanto qualquer outra pra, tentativa e erro, tubo de ensaio, ratinho no laboratório, descobrir como meu corpo vai reagir.

Eu estava tomando desde 2014, 15 mg ao dia. Era 20, e numa dessas subidas de TSH e um leve desânimo, virou 15. Ela reduziu para 10, dia sim, dia não.  Isso depois de dizer: tirar tudo eu fico com medo, né? Muito arriscado.  UOU… quantas emoções hão de me aguardar!

E novos exames no fim de novembro (Só TSH, T4L, Glicose e Hemoglobina Glicada).

Volto nela?  Não sei gente. Tem um ladeira entre eu e ela, que por si só já é exercício físico por uns 6 meses. Mas seguirei a risca a medicação (sou boa nisso!) e farei os exames (não sou tão boa nisso, mas farei) e ai a gente vê para onde vai…

Se bem que pensar em contar, resumidamente ou não, a historia da minha tireoide de novo pra uma nova pessoa, a 3ª de agosto até aqui, que vai saber tanto quanto todos os anteriores, me dá um preguiça monstra. Acho que maior do que subir a alameda…

Será?

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Alguém indica?

Numa terrível conspiração cármica, e com as doses das mediações para meus males psico-emocionais (TAG e fobia social desde sempre e uma depressão pontual… ) mas que podia nem ser preciso isso tudo se minha tireoide estiver precisando de outra abordagem (e a parte dos meus males agravadas pela questão hormonal NÃO vai ceder com ataque químico!),  não consigo marcar consulta com o meu (meu?), enfim, com o endócrino que me atendeu em agosto, passou exames, me mandou voltar…

A morte do papai adicou um pouco essas coisas de fazer exames e tentar marcar retorno, mas já tem uns bons dia que estou com os exames prontos (basta ver pelo último post) e o consultório só dá caixa postal. Tipo assim, já me irritou.

Alguém tem indicação de endocrinologista
a – no Rio de Janeiro
b – preferencialmente perto do metrô. Mas é um preferencialmente bem efusivo
c – que aceite sulamérica
d – que não seja daqueles que morrem de medo das auto-imunes
e – que não seja daqueles que acham genuinamente que se o sintoma não está no livro que descreve a doença, ele está apenas na nossa cabeça…

Obrigada.

 

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Tem Graves. Mas tá em falta.

E depois de um longo e irresponsável inverno, medicada porém sem acompanhamento, estou de endócrino novo e olhando pra esse assunto novamente.

Exames prontos e pra lá de esquisitos.  Parece uma Hipo subclínica, se eu for ler o exame secamente: TSH alto, T4 normal… Além disso, pouco trab, muito do outro anticorpo de tireóide, o que secamente também levaria a outro diagnóstico…  Ultra sem nódulos, com resultado bem parecido da anterior (ou seja, tireoide enooooooooorme! mas não é tumor).

Como eu estou com outras questões pessoais  no momento (minha ansiedade andou fora do controle devido a um luto familiar que fez ficar tudo junto e misturado) e devidamente medicada para essas questões, acho que nem tô lá muito ansiosa ou fazendo muitas conjecturas desses resultados estranhos. Já pensei em erro de diagnóstico anterior, já pensei em só eu surtadinha descompensando as paradas, mas não me rendeu mais de um dia de pensamento e uma consulta informal com meu amigo médico…  Ele mandou eu colocar o dedinho na boca, virar pro lado e dormir, ou, em outras palavras, tomar meus remédios, relaxar e levar os resultados pro endócrino que possivelmente não eram nada! Depois disso, marquei calmamente a ultra, e agora marcaremos o endócrino pra levar isso tudo e deixa o cara falar.

Quando eu fui na consulta incial desse novo endocrinologista, ele não gostou dos meus BPMs e é algo que me incomoda tb… ando pela vida literalmehnte quase parando, por conta do beta bloqueador, mas é algo que eu não posso tirar. Então ele manteve para pensarmos se tem como reduzir numa consulta seguinte. Ele me perguntou se ninguém tinha mencionado Hashimoto comigo e eu disse que o diagnóstico tinha sido de Graves, inclusive com duas crises de hiper bem acentuadas, uma pré diagnostico e uma em 2012, comigo sem medicação. Ele pediu os exames e os exames vieram mais pra hipótese dele do que pro que eu vivi os últimos, sei lá, 8 anos tratando!   O jeito agora é literalmente levar lá e deixar o cara falar.

Se eu não levar fé, levo os exames em outro lugar, segunda, terceira, quarta opinião. E é isso, né gente?  Tô com mó preguiça de surtar a respeito.  Inclusive pq se a minha tireoide estiver morrendo, vou fazer o que?  Não era o plano inclusive ter tomado o iodo e matado ela?  Não era esse o plano?   Ok, não era o MEU plano, mas não é nada que eu precise perder noite de sono antes de ter mais elementos pra entender certo?

Mas se nunca foi Graves (e eu fiz um blog todo a esses respeito e nem tinha a parada! Tô rindo por aqui), se mesmo depois de tanta leitura eu não souber de graves se comportando assim, ou se a graves mudou pra outra coisa (ela pode mudar?),  é no mínimo um capítulo diferente da minha novela pra gente conversar aqui.   Eu andava sem assunto mesmo (tomando remédio mas …  é… só isso, tomando o remédio mas sem nem fazer exame regularmente, que durante um tempo eu ainda fazia, mas fui largando mão irresponsavelmente depois de vários com os hormônios controlados com aquela dose de tapazol).

Vai que agora a gente vai ter assunto novo pra discutir?

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Consciência Hormonal

Amiga passou uns dias ruins, fase Hipo da Graves nos píncaros, tudo parecia ruim, tudo parecia torto. Eu tenho andado ocupada demais para parar pra pensar. E quando paro, tenho vontade de arrancar minha tireóide a dentada, no soco, no grito, na raiva…  Amiga entendeu que tinha que sair dos dias ruins por pura consciência de que tinha que sair dos dias ruins (não necessariamente porque algo na vida, ou no nível hormonal mudou), e comentou que precisava estudar Consciência Hormonal. Cara, mais do que nós, todas(os) nós, é ruim existir mais entendimento em consciência hormonal que isso.

“Consciência hormonal…. olha só, a gente já é versada no assunto. Vai lá no Indo Devagar que é o máximo de <<versação>> que é possível: A consciência plena de que se não é, tudo pode ser hormônio. Não sou eu, é o meu amigo imaginário, um tal de Graves. Ou de TPM. Eventualmente dos dois ao mesmo tempo.”

Amigo, que não tem Graves, nem Útero e pra piorar é médico, se ler esse post, vai balançar a cabeça e dizer que eu tenho que parar de culpar meu T4 por tudo, que ele deve estar até equilibrado.  Em resposta prévia, fica a questão: Não estou culpando o fato de estar eventualmente arrotando T4, ou a amiga arrotando TSH… Estou apenas admitindo  humildemente a possibilidade de que não tenho controle sobre tudo que sinto, que há química envolvida que eu não controlo. Mas controlo como eu lido com essa informação. E eu lido separando no melhor da minha falta de sabedoria, o que eu tenho controle, e o que eu não tenho.  No melhor estilo oração da serenidade. Sempre.

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Este não é o fim, Este não é o começo.

‘Cause we’re living at the mercy of the pain and fear
Until we dead it
Forget it
Let it all disappear

Eu estive lá. Eu vivi isso. Quando eu deixei de existir havia muito pouco de mim. Pouco reconhecível pelo menos.  Eu estive lá. Eu não estou mais… Continuar a ler

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